Uso racional da nafazolina nasal: farmacologia, indicações e riscos do uso prolongado
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Nafazolina nasal: uma visão geral
A nafazolina é um agonista alfa-adrenérgico de ação periférica, pertencente à classe dos descongestionantes nasais tópicos. Seu principal efeito farmacológico é a vasoconstrição do leito vascular da mucosa nasal, resultando em redução do edema, diminuição da obstrução e melhora transitória da permeabilidade das vias aéreas superiores.
Trata-se de um medicamento amplamente utilizado na prática clínica e na automedicação, presente em formulações isoladas ou combinadas com anti-histamínicos e anestésicos locais.
É indicado para o alívio sintomático da congestão nasal associada a rinite alérgica, rinite infecciosa aguda, sinusite e em procedimentos otorrinolaringológicos diagnósticos, como a rinoscopia.
No Brasil, a nafazolina é encontrada sob diversos nomes comerciais, incluindo Sorine®, Neosoro®, Multisoro®, entre outros. Seu uso é muito comum, especialmente em contextos de desconforto nasal agudo, embora o potencial de uso inadequado e prolongado mereça atenção médica constante.

Farmacologia e mecanismo de ação
A nafazolina atua como agonista dos receptores alfa-adrenérgicos pós-sinápticos da mucosa nasal, promovendo vasoconstrição arteriolar local. Essa ação reduz o fluxo sanguíneo e o extravasamento plasmático, levando à diminuição do edema e consequente melhora do fluxo aéreo.
Apesar da absorção sistêmica ser geralmente baixa, ela pode ocorrer em uso repetido ou em formulações mais concentradas (1 mg/mL), principalmente em crianças, idosos ou pacientes com disfunção cardiovascular.
Em casos de absorção significativa, podem surgir efeitos sistêmicos decorrentes da estimulação adrenérgica, o que reforça a necessidade de limitar o período de uso.
O início da ação ocorre em minutos, com duração média de 4 a 6 horas, sendo por isso frequentemente usada de forma repetida ao longo do dia — fator que contribui para o risco de dependência nasal e rinite medicamentosa.

Posologia e tempo de uso
Em adultos e adolescentes (≥12 anos), a dose usual é de 1 a 2 gotas ou 1 jato spray em cada narina, até três vezes ao dia, conforme a concentração do produto (geralmente 0,5 mg/mL).
A duração do tratamento deve ser restrita a episódios agudos, não ultrapassando 3 a 5 dias consecutivos.
O uso contínuo além desse período pode levar à taquifilaxia, perda de eficácia clínica e congestão rebote, caracterizada por piora do edema mucoso após a suspensão do fármaco.

Efeitos adversos
Os efeitos adversos locais da nafazolina nasal incluem irritação, ardor ou secura da mucosa, além de espirros, epistaxe e, em casos de uso prolongado, congestão rebote e rinite medicamentosa.
Eventos sistêmicos são raros e geralmente relacionados à absorção excessiva do fármaco, podendo manifestar-se como taquicardia, hipertensão arterial, cefaleia, insônia, sedação, tremores ou ansiedade.
O risco dessas reações aumenta em situações de uso abusivo, com formulações mais concentradas (1 mg/mL) ou em pacientes com disfunções cardiovasculares pré-existentes.

Interações medicamentosas relevantes
A nafazolina não deve ser associada a fármacos com potencial hipertensor ou adrenérgico, devido à possibilidade de crises hipertensivas.
Evitar combinação com:
- Antidepressivos tricíclicos
- Inibidores da monoamina oxidase (IMAO)
- Derivados da ergotamina
- Linezolida
- Agentes beta-adrenérgicos, como salbutamol (risco de arritmia)

Aspectos práticos e orientação clínica
O uso da nafazolina deve ser criteriosamente indicado e restrito a quadros agudos de congestão nasal. A orientação médica é essencial para prevenir o uso abusivo e o desenvolvimento de rinite medicamentosa.
Nos casos de rinite alérgica persistente ou inflamações nasais crônicas, a nafazolina não deve ser utilizada como terapia de manutenção, devendo-se optar por alternativas de controle etiológico, como corticosteroides intranasais, anti-histamínicos ou soluções salinas hipertônicas.
A reavaliação clínica após alguns dias de uso é recomendada para verificar a necessidade de continuidade, especialmente em pacientes com fatores de risco cardiovascular ou uso concomitante de outros simpaticomiméticos.
O acompanhamento médico é fundamental para equilibrar eficácia sintomática e segurança, evitando complicações associadas à automedicação e ao uso prolongado.

Conclusão
A nafazolina nasal permanece como uma opção eficaz para o alívio rápido e transitório da congestão nasal, mas seu uso deve ser restrito e criterioso. O emprego prolongado pode levar à vasodilatação reativa, rinite medicamentosa e dependência fisiológica local, exigindo atenção redobrada na prescrição.
O profissional de saúde deve sempre ponderar riscos e benefícios, priorizando alternativas terapêuticas mais seguras e sustentáveis no manejo de sintomas nasais crônicos.
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Referências:
Sorine® - Cloridrato de Nafazolina. Bula de medicamento.
OS RISCOS CAUSADOS PELO USO INDISCRIMINADO DE DESCONGESTIONANTES NASAIS DERIVADOS DA NAFAZOLINA. (2023). Revista Multidisciplinar Do Nordeste Mineiro, 8(1). https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/1147
Rodrigo Athanazio. Clínica de Doenças Respiratórias Avançadas. Cuidado com o uso excessivo dos descongestionantes nasais como automedicação para o controle do nariz entupido. Publicado em: 24 de julho de 2024