Tudo o que você precisa saber sobre ventilação mecânica invasiva
Entenda o que é a ventilação mecânica invasiva, suas principais indicações, modos ventilatórios e cuidados essenciais no manejo do paciente crítico.
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Quando utilizar estratégias invasivas de suporte respiratório?
Antes de iniciar a ventilação mecânica invasiva, é essencial compreender em quais situações o suporte respiratório invasivo se faz necessário.
Quando as medidas não invasivas de suporte ventilatório não garantem oxigenação e ventilação adequadas, torna-se necessária a adoção de estratégias invasivas de suporte respiratório. Essas técnicas permitem acesso direto às vias aéreas, oferecendo:
Maior controle sobre os parâmetros ventilatórios;
Intervenção eficaz em quadros de maior gravidade clínica;
Possibilidade de aplicar modos ventilatórios avançados.
O objetivo principal é otimizar as trocas gasosas e minimizar complicações associadas à ventilação mecânica, como lesões de via aérea ou pneumonia associada ao ventilador.

Indicações e contraindicações da Ventilação Mecânica Invasiva (VMI)
A VMI é indicada quando há necessidade de substituir parcialmente ou totalmente a respiração espontânea, assegurando trocas gasosas adequadas e proteção das vias aéreas.
Apesar de essencial em muitos casos, a VMI deve ser vista como a última alternativa, já que está associada a maior risco de complicações, como pneumonia associada à ventilação, lesões de via aérea e fraqueza muscular adquirida. Contudo, sua indicação não deve ser adiada em casos de deterioração rápida, pois o atraso na intubação aumenta a mortalidade.
Principais indicações:
Hipoxemia grave (PaO₂ < 60 mmHg ou SaO₂ < 90% com FiO₂ > 0,6);
Falência ventilatória (parada respiratória iminente, taquipneia grave, hipercapnia);
Obstrução de vias aéreas;
Doenças neuromusculares;
Incapacidade de proteger a via aérea (coma, secreção excessiva).
Contraindicações:
Situações em que a ventilação não invasiva é suficiente;
Diretivas antecipadas de não intubação.

Principais Formas de Suporte Invasivo
Intubação Orotraqueal (IOT)
A intubação orotraqueal é a via preferencial em situações de insuficiência respiratória aguda grave, instabilidade hemodinâmica, rebaixamento do nível de consciência ou falha das estratégias não invasivas. Permite ventilação mecânica invasiva com monitorização contínua e ajustes precisos de parâmetros ventilatórios.
A IOT é um dos procedimentos mais frequentes em UTI. Apesar de rotineira, está associada a complicações graves, como instabilidade cardiovascular e hipoxemia.
A decisão pela IOT deve seguir critérios clínicos claros, priorizando a intervenção precoce. O uso de protocolos padronizados de via aérea melhora a segurança e a previsibilidade do procedimento.
Principais protocolos:
Protocolo geral de via aérea - classifica o paciente conforme risco e define se a conduta será SRI (Sequência Rápida de Intubação) ou encaminhamento para protocolos específicos.
Protocolo de parada cardiorrespiratória - prioriza RCP de alta qualidade e ventilação eficaz antes da intubação.
Protocolo de via aérea difícil - orienta abordagem em situações anatômicas ou fisiológicas de risco.
Protocolo de via aérea falha - foca em estratégias de resgate, como dispositivos supraglóticos ou acesso cirúrgico.
Esses fluxos definem se o paciente será submetido à intubação em sequência rápida ou a abordagens alternativas.

Sequência rápida de intubação
A sequência rápida de intubação (SRI) é a técnica preferencial em pacientes críticos, pois permite controle rápido e seguro da via aérea com menor risco de broncoaspiração.
Etapas da SRI:
- Preparação: avaliar risco de via aérea difícil e preparar equipamentos.
- Pré-oxigenação: ofertar oxigênio em alto fluxo para aumentar reserva de O₂.
- Pré-tratamento: administrar adjuvantes (ex.: atropina, fentanil, lidocaína).
- Indução: uso de agentes hipnóticos (midazolam, propofol, etomidato, quetamina).
- Bloqueio neuromuscular: succinilcolina (ou rocurônio, quando contraindicada).
- Posicionamento: “posição de cheirador” para melhor visualização da glote.]
- Intubação e confirmação: ausculta e capnografia confirmam posicionamento.
Após o procedimento, deve-se fixar o tubo, ajustar parâmetros da ventilação mecânica e instituir sedação contínua.

Preditores de laringoscopia difícil
Alguns pacientes apresentam variações anatômicas que podem cursar com uma laringoscopia (visualização da laringe) e consequente intubação mais difícil. Dessa forma, podemos utilizar a técnica LEMON 🍋(acrônimio) de avaliação:
L – Look externally: avaliar características anatômicas (pescoço curto, deformidades, obesidade, barba).
E – Evaluate 3-3-2: aplicar a regra de 3 dedos entre boca, mento e cartilagem tireoide.
M – Mallampati: graus III e IV indicam maior dificuldade.
O – Obstruction: verificar tumores, abscessos ou corpos estranhos.
N – Neck mobility: avaliar mobilidade cervical (evitar em trauma cervical)
Além do LEMON, existe o método de avaliação da laringe, conhecido como classificação de Cormack:
Grau I – Toda a glote é visível.
Grau II – Apenas a parte posterior da glote é visível.
Grau III – Apenas a epiglote é visível, mas não a glote.
Grau IV – A epiglote não é visível, apenas o palato mole.
Os graus III e IV indicam uma intubação difícil.

Traqueostomia
A traqueostomia é indicada para pacientes em ventilação mecânica prolongada (≥10–14 dias), podendo ser antecipada em casos específicos.
Entre os benefícios estão:
Maior conforto em relação ao tubo orotraqueal;
Melhoria na higiene brônquica;
Redução de complicações em via aérea superior;
Facilitação do desmame ventilatório.
Quanto às técnicas disponíveis, a traqueostomia pode ser cirúrgica (realizada em centro cirúrgico ou à beira do leito) ou percutânea (feita à beira do leito, com menor risco de infecção). Ambas são seguras e eficazes; a escolha depende da experiência da equipe e dos recursos disponíveis.

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As estratégias invasivas de suporte respiratório são fundamentais no manejo de pacientes críticos. A escolha entre intubação orotraqueal e traqueostomia deve considerar o tempo previsto de ventilação, a gravidade do quadro e a experiência da equipe.
Seguir protocolos de via aérea bem definidos aumenta a segurança do procedimento, reduz complicações e melhora o prognóstico em pacientes com insuficiência respiratória grave.
A ventilação mecânica invasiva, quando bem indicada e conduzida de forma protocolada, pode ser determinante para a recuperação do paciente e para a redução da mortalidade em unidades de terapia intensiva. Atualizar-se sobre boas práticas e novas recomendações é essencial para otimizar resultados clínicos e garantir um cuidado de excelência.

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Referências:
AMIB; SBPT. Orientações Práticas de Ventilação Mecânica Interativo. São Paulo: AMIB e SBPT; 2024.
Hickey SM, Sankari A, Giwa AO. Mechanical Ventilation. [Updated 2024 Mar 30]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK539742/
Complexo Hospitalar do Trabalhador; Centro de Estudos e Pesquisas em Terapia Intensiva. Secretaria da Saúde - Governo do Estado do Paraná. PROTOCOLO DE INTUBAÇÃO DE VIAS AÉREAS.
Walter, J. M., Corbridge, T. C., & Singer, B. D. (2018). Invasive Mechanical Ventilation. Southern medical journal, 111(12), 746–753. https://doi.org/10.14423/SMJ.0000000000000905