Testosterona em gel no tratamento do hipogonadismo masculino: caso clínico ilustra os riscos de transferência cutânea

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Nesta semana, um caso clínico raro ganhou destaque: uma lactente desenvolveu sinais de virilização após exposição inadvertida à testosterona tópica usada pelo pai. O episódio reacende o alerta sobre os riscos do uso inadequado e reforça a importância de conhecer as indicações da testosterona em gel no tratamento do hipogonadismo masculino — além das medidas essenciais para prevenir exposições acidentais.

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Virilização em lactente por exposição à testosterona do pai: alerta para os riscos e precauções no uso transdérmico

Um caso clínico raro ocorrido na Suécia chamou a atenção ao relatar virilização em uma lactente de 10 meses, secundária à exposição inadvertida ao gel de testosterona utilizado pelo pai em terapia de reposição hormonal.

A exposição ocorreu durante o contato pele a pele — prática comum nos cuidados com recém-nascidos — realizado logo após a aplicação do hormônio, sem a devida higienização.

A criança apresentou aumento clitoriano e fusão parcial dos lábios vaginais. A investigação laboratorial revelou níveis elevados de andrógenos, compatíveis com exposição exógena, e os sinais clínicos regrediram após a suspensão do contato ou adoção de medidas de proteção.

O caso ilustra os riscos de exposição cutânea acidental a hormônios tópicos em crianças e reforça a importância de orientar pacientes em uso de testosterona transdérmica quanto aos cuidados após a aplicação. Em alguns países, como o Reino Unido, já há exigência regulatória para inclusão de alertas em bula, recomendando medidas como higienização adequada das mãos e evitar contato direto com terceiros — especialmente crianças — após o uso.

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Uso da testosterona em gel no tratamento do hipogonadismo masculino

A testosterona é o principal andrógeno responsável por promover o crescimento e desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos e manter características sexuais secundárias.

As principais indicações para o uso de testosterona tópica (géis, cremes ou adesivos transdérmicos) são baseadas em evidências robustas para homens adultos com diagnóstico confirmado de hipogonadismo, seja primário ou hipogonadotrófico.

Leia também: Hipogonadismo Masculino: a deficiência de testosterona no homem

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A testosterona tópica é indicada para restaurar e manter as características sexuais secundárias, melhorar sintomas de deficiência androgênica (como diminuição da libido, disfunção erétil, fadiga, perda de massa muscular e óssea), e corrigir alterações laboratoriais associadas ao hipogonadismo.

O objetivo do tratamento é alcançar níveis séricos de testosterona na faixa média da normalidade, levando em consideração preferências do paciente, farmacocinética, efeitos adversos específicos da formulação, conveniência e custo.

No caso do uso das formas transdérmicas (géis, cremes e adesivos), estes são aplicados diariamente sobre a pele, geralmente em áreas como ombros, braços ou abdome. Essas formulações mimetizam melhor o ritmo circadiano da testosterona, mas exigem atenção ao risco de transferência para outras pessoas por contato direto com a pele, especialmente mulheres e crianças.

É importante ressaltar as contraindicações absolutas ao uso de testosterona tópica, incluindo: câncer de mama ou próstata, nódulo ou induração prostática não esclarecida, PSA elevado sem investigação, hematócrito elevado, apneia obstrutiva do sono não tratada, sintomas urinários graves, insuficiência cardíaca descompensada, infarto do miocárdio ou AVC recentes, trombofilia, e desejo de fertilidade no curto prazo, pois a terapia pode suprimir a espermatogênese.

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Transferência de testosterona tópica por contato pele a pele: risco real de virilização secundária, especialmente em crianças

O risco de transferência de testosterona tópica para outras pessoas por contato direto pele a pele com o local de aplicação é bem documentado e clinicamente relevante.

A exposição secundária pode causar virilização em crianças e mulheres, com relatos de desenvolvimento de características sexuais secundárias em crianças (como aumento peniano ou clitoriano, aparecimento precoce de pelos pubianos, aumento de ereções, agressividade e avanço da idade óssea) e sinais de hiperandrogenismo em mulheres (alterações na distribuição de pelos, acne, aumento da libido).

Em casos pediátricos, há relatos de puberdade precoce gonadotrofina-independente, com elevação significativa dos níveis séricos de testosterona, que regridem após a interrupção da exposição.

A maioria dos casos relatados de virilização ocorreu quando as precauções recomendadas não foram seguidas, como não cobrir o local de aplicação com roupa após secagem do gel ou não lavar o local antes de contato próximo com outras pessoas.

Portanto, a transferência de testosterona tópica por contato pele a pele é um risco real, com potencial para efeitos adversos clínicos significativos, especialmente em crianças. A adesão rigorosa às medidas de precaução — lavagem das mãos após aplicação, cobertura do local com roupa após secagem e lavagem do local antes de contato próximo — é fundamental para prevenir a exposição secundária.

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Referências:

Georges, E., Cedarbaum, V., Bisno, D. I., & Marshall, I. (2023). Sexual precocity in the setting of parental use of a compounded testosterone cream: case report and review of the literature. Journal of pediatric endocrinology & metabolism : JPEM, 36(3), 323–326. https://doi.org/10.1515/jpem-2022-0521

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Sizar, O., Leslie, S. W., & Schwartz, J. (2024). Male Hypogonadism. In StatPearls. StatPearls Publishing.

ANDROGEL® (testosterona). BESINS HEALTHCARE BRASIL.

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