Síndrome de Burnout: entendendo o fenômeno ocupacional e seus marcadores clínicos

Síndrome de Burnout: entendendo o fenômeno ocupacional e seus marcadores clínicos
Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout é um fenômeno ocupacional caracterizado por estresse crônico relacionado ao trabalho, que, quando não adequadamente manejado, resulta em exaustão extrema, despersonalização e redução da realização profissional. Por definição, seus sinais e sintomas aparecem exclusivamente no contexto laboral, distinguindo-se de outros transtornos psiquiátricos.

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Definição clínica da Síndrome de Burnout (CID-11)

A CID-11 descreve três dimensões centrais:

  • Exaustão emocional: sensação persistente de esgotamento físico e mental.
  • Despersonalização: distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho, frequentemente com negativismo.
  • Baixa realização profissional: percepção de ineficácia e queda da motivação.
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Epidemiologia e impacto em profissionais de saúde

A Síndrome de Burnout é subnotificada e muitas vezes confundida com ansiedade ou depressão. No Brasil, figura entre as maiores prevalências mundiais, afetando cerca de 30% dos trabalhadores.

O avanço do trabalho remoto contribuiu para esse aumento: estima-se que até 80% dos profissionais em home office apresentem algum grau de esgotamento, e quase metade relata ausência de suporte emocional adequado por parte dos empregadores. A prevalência é especialmente elevada nas áreas da saúde e da educação.

Entre profissionais de saúde, a atenção primária desponta como o grupo mais vulnerável.

Estudos indicam que até 70% dos enfermeiros e assistentes médicos já vivenciaram Burnout em algum momento da carreira, refletindo o impacto da sobrecarga emocional e das responsabilidades clínicas de alta complexidade.

O risco também cresce entre trabalhadores expostos continuamente a demandas intensas e decisões críticas, o que reforça a necessidade de vigilância e estratégias de prevenção direcionadas.

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Fatores de risco para Síndrome de Burnout

A etiologia envolve interação entre fatores profissionais, pessoais e sociais.

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Etiologia e fisiopatologia: quais são as fases da Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout decorre da exposição contínua ao estresse ocupacional. O organismo percorre três fases fisiológicas:

  1. Alerta – liberação rápida de ACTH, adrenalina e cortisol, ativando resposta de luta/fuga.
  2. Resistência – manutenção prolongada da resposta ao estresse, com hiperativação mesmo sem estímulo direto.
  3. Exaustão – falha adaptativa, imunossupressão (pela ação do cortisol), sintomas intensificados e maior vulnerabilidade física e emocional.

Quando a fase de exaustão é desencadeada por estressores laborais persistentes, configura-se a Síndrome de Burnout.

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Diagnóstico clínico

O diagnóstico é clínico e baseado em anamnese detalhada, com foco no ambiente de trabalho, e avaliação dos sintomas nas três dimensões (exaustão, despersonalização, baixa realização). É necessário identificar a presença dos sintomas por > 3 meses.

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Ainda, observa-se melhora parcial ou total na ausência do agente estressor, o que auxilia no diagnóstico diferencial com depressão maior.

Ferramentas úteis incluem o Questionário de Avaliação da Síndrome de Burnout (baseado no LBQ e no MBI) e Avaliação de 12 Passos (progressão típica dos sintomas do alerta até o colapso).

Exames complementares são indicados apenas para excluir diagnósticos diferenciais. Não há alterações laboratoriais específicas de Burnout.

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Complicações associadas

Sem intervenção adequada, a Síndrome de Burnout pode evoluir de forma significativa, resultando em complicações emocionais, físicas e socioeconômicas.

Entre as consequências mais frequentes estão o desenvolvimento de depressão e ansiedade generalizada, bem como o surgimento de ideação suicida em casos mais graves.

Do ponto de vista físico, podem ocorrer distúrbios gastrointestinais, cardiovasculares e respiratórios, além de enxaqueca crônica e insônia persistente. Muitos pacientes passam a utilizar álcool ou outras substâncias como forma de lidar com o estresse, o que aumenta o risco de dependência.

O comprometimento funcional também é comum, elevando o risco ocupacional e prejudicando o desempenho profissional. Em longo prazo, essas repercussões podem levar a perdas financeiras importantes, seja por afastamento, queda de produtividade ou abandono do emprego.

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Prognóstico e recuperação na Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout é uma condição tratável, sobretudo quando o agente estressor é identificado e adequadamente modificado.

Nos casos leves, a melhora costuma ocorrer em até seis meses após ajustes na rotina e implementação de estratégias de autocuidado. Situações moderadas ou graves podem exigir intervenções mais amplas, incluindo mudança de setor ou até mesmo de emprego, especialmente quando não há possibilidade de reorganizar o ambiente laboral.

A presença de comorbidades, como ansiedade ou depressão, tende a prolongar o tempo de recuperação e exige tratamento específico associado.

De modo geral, o apoio familiar e organizacional, aliado ao acompanhamento profissional adequado, desempenha papel fundamental para acelerar a recuperação e favorecer o retorno ao bem-estar.

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Referências:

World Health Organization. ICD-11. International Classification of Diseases 11th Revision.

Filipska-Blejder, K.; et al (2023). https://doi.org/10.3390/healthcare11142032

Koutsimani P, et al (2019). doi: 10.3389/fpsyg.2019.00284.

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Amiri, S., et al (2024). https://doi.org/10.3390/ijerph21121583

Ramos, D. K., et al (2023). https://doi.org/10.1186/s12889-023-15134-8

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