Aplicação de sal no Granuloma Umbilical: alternativa segura e eficaz no manejo domiciliar

Aplicação de sal no Granuloma Umbilical
umbigo bebê recém nascido

O granuloma umbilical é a anomalia de umbigo mais comum em neonatos, caracterizada por uma proliferação excessiva de tecido de granulação que persiste na base do umbigo após a queda do coto umbilical.

Diversos estudos, incluindo revisões sistemáticas e ensaios clínicos randomizados, demonstram que a aplicação de sal no granuloma umbilical (sal comum, de cozinha) é um método eficaz, seguro e barato, que pode ser realizado em ambiente domiciliar sob orientação adequada.

Veja mais sobre o tratamento de granuloma umbilical, e como orientar adequadamente os pais/responsáveis quanto aos cuidados com o paciente neonato.

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Como ocorre o Granuloma Umbilical?

O granuloma umbilical é uma massa de tecido de granulação, variando entre 3 e 10 mm, úmido, macio, de coloração vermelho-opaca ou rosa, localizada na base do umbigo após a queda do cordão umbilical. Geralmente é indolor, e não causa incômodos.

Estima-se que ocorra em 1 a cada 500 recém-nascidos, sendo a anormalidade umbilical mais comum em neonatos. Não há variação significativa por sazonalidade, ou entre os sexos.

A etiologia está relacionada à falha na epitelização completa do coto umbilical após sua separação, levando à persistência do tecido de granulação.

O cordão umbilical normalmente se desprende entre 7 e 10 dias após o nascimento - iniciada pela trombose e contração dos vasos umbilicais. Aproximadamente 1 ou 2 semanas após essa separação, o tecido de granulação remanescente geralmente desaparece (mediada por fagócitos), com a epitelização do coto umbilical. Se a epitelização não for suficiente, o tecido de granulação pode evoluir para granuloma.

Em alguns casos, pode haver um atraso na separação do cordão - por exemplo, infecções bacterianas ou distúrbios imunológicos - também favorecendo a persistência do tecido de granulação.

sal no Granuloma Umbilical

Evidências e efetividade do uso de sal no granuloma umbilical

O tratamento do granuloma umbilical é baseado em intervenções tópicas, com excelente eficácia e baixo risco de complicações. Dentre as principais opções recomendadas está a aplicação de sal comum (NaCl).

Diversos estudos, incluindo revisões sistemáticas e ensaios clínicos randomizados, demonstram que a aplicação de sal de cozinha diretamente sobre o granuloma, geralmente duas vezes ao dia por 3 a 7 dias, apresenta taxas de resolução superiores a 90%, sem relatos de complicações relevantes ou recidivas.

O sal atua por efeito osmótico, promovendo desidratação e necrose do tecido de granulação. É um método seguro, barato e pode ser realizado em ambiente domiciliar sob orientação adequada.

Aplicação de sal no Granuloma Umbilical

Orientações para o uso domiciliar de cloreto de sódio no tratamento do granuloma umbilical e cuidados com o coto umbilical

A orientação aos pais, responsáveis ou cuidadores quanto ao manejo do granuloma umbilical com sal deve ser clara, objetiva e realizada preferencialmente após avaliação médica.

Recomenda-se que a aplicação seja feita com a região previamente higienizada e completamente seca. Deve-se depositar uma pequena quantidade de sal de cozinha diretamente sobre a lesão e cobri-la com gaze estéril, deixando o sal agir por aproximadamente 10 a 30 minutos. Em seguida, a gaze deve ser cuidadosamente removida e a área lavada com água morna, sem fricção.

O procedimento pode ser repetido duas vezes ao dia, geralmente por um período mínimo de dois dias. Em média, observa-se redução progressiva do granuloma em 48 a 72 horas, com início de regressão e ressecamento da lesão.

Além do tratamento do granuloma, é fundamental reforçar as medidas de cuidado com o coto umbilical.

A região umbilical do recém-nascido deve ser mantida limpa e seca. Em caso de sujidade por urina ou fezes, a limpeza deve ser realizada com água morna. Para favorecer a secagem, recomenda-se dobrar a borda superior da fralda abaixo do nível do umbigo, expondo o coto ao ar ambiente.

Em contextos com condições de higiene limitadas, a antissepsia com álcool a 70% pode ser considerada como estratégia de redução da carga bacteriana, embora o uso de nitrato de prata para esse fim seja contraindicado.

Após a queda do coto, a higiene da cicatriz umbilical deve ser mantida durante o banho com água e sabão neutro, promovendo a remoção de crostas e secreções residuais, o que contribui para a redução da colonização bacteriana local e prevenção de infecções secundárias.

Aplicação de sal no Granuloma Umbilical

Evolução clínica do granuloma umbilical: alta taxa de resolução e bom prognóstico

O granuloma umbilical apresenta um prognóstico excelente, sendo uma condição benigna e autolimitada na maioria dos casos. Na ausência de resposta com o uso do sal comum, ou ainda como terapia de primeira linha, outros tratamentos tópicos podem ser indicados.

A solução aquosa de nitrato de prata (10%) é amplamente utilizada, e apresenta taxa de cura estimada em 97-91%. O uso de corticoterapia tópica parece ter eficácia superior (90-98%), mas os dados ainda são limitados e seu uso é controverso.

Para granulomas pediculados, a ligadura com fio absorvível pode ser considerada, levando à necrose e queda do granuloma em até 14 dias, com bons resultados cosméticos e funcionais. A excisão cirúrgica é reservada para casos refratários ou atípicos.

sal no Granuloma Umbilical

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Referências:

Palazzi, DL. et al - Care of the umbilicus and management of umbilical disorders. In: UpToDate, Post TW (Ed), UpToDate, Waltham, MA.

Borkar, N., Sharma, C., Das, K., & Azizoglu, M. (2025). Efficacy and Safety of Common Salt and other Topical Agents in the Treatment of Umbilical Granuloma in Neonates and Infants: A Systematic Review and Meta-analysis. Journal of Indian Association of Pediatric Surgeons, 30(3), 271–276. https://doi.org/10.4103/jiaps.jiaps_29_25

Iijima S. (2023). Umbilical Granuloma: Frequency, Associated Factors, 10-Year Treatment Trends, and Effectiveness at a Single Hospital in Japan. Journal of clinical medicine, 12(18), 6104. https://doi.org/10.3390/jcm12186104

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