Com chuvas intensas, cresce o risco de tétano - revise o esquema de vacinação antitetânica
Em meio a cenários de risco, como acidentes com materiais perfurocortantes ou exposição a enchentes e desastres naturais, a profilaxia contra o tétano assume papel central na prática clínica. A doença, embora evitável, ainda representa uma ameaça significativa — sobretudo para indivíduos não imunizados ou com esquema vacinal incompleto.
Nesse contexto, conhecer e aplicar corretamente o esquema de vacinação antitetânica é essencial para a prevenção eficaz da infecção pelo Clostridium tetani, especialmente em populações vulneráveis ou expostas.
A seguir, revisamos as recomendações atualizadas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para diferentes faixas etárias e situações clínicas.
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Tétano em Cenários de Enchentes: Risco Reemergente e a Importância da Vacinação
O tétano continua sendo uma preocupação relevante, especialmente em contextos de acidentes com materiais perfurocortantes — como pregos enferrujados —, amplamente reconhecidos como potenciais vetores.

No entanto, vale destacar que a infecção também pode ocorrer a partir da contaminação de feridas pré-existentes por esporos do Clostridium tetani, uma bactéria gram-positiva, anaeróbia obrigatória, amplamente presente no solo, em vegetação e em matéria fecal humana e animal.
Situações que favorecem o contato com ambientes contaminados, como desastres naturais e enchentes, elevam substancialmente o risco de infecção, sobretudo em indivíduos com lesões cutâneas abertas.
Diante do cenário atual no Rio Grande do Sul — em especial na região metropolitana de Porto Alegre, novamente impactada por chuvas intensas e alagamentos, a exemplo de 2024 —, é fundamental manter a vigilância quanto ao risco de aumento de casos de tétano.
A imunização segue sendo a principal medida de profilaxia do tétano.A vacina antitetânica está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do calendário vacinal desde a infância. Em adultos, recomenda-se o reforço a cada 10 anos, ou em intervalos menores diante de risco aumentado de exposição, especialmente em casos de ferimentos potencialmente contaminados.
Você está familiarizado com o esquema vacinal indicado para esses contextos?

Esquema de Vacinação Antitetânica
A vacinação é a medida mais eficaz na prevenção do tétano. O esquema de vacinação contra tétano preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde o nascimento é:
2 meses: 1ª dose de Pentavalente (DTP – difteria, tétano e coqueluche + Hib + hepatite B).
4 meses: 2ª dose de Pentavalente (DTP – difteria, tétano e coqueluche + Hib + hepatite B).
6 meses: 3ª dose de Pentavalente (DTP – difteria, tétano e coqueluche + Hib + hepatite B).
15 meses: 1º reforço com vacina tríplice bacteriana (DTP – difteria, tétano e coqueluche)
4 anos: 2º reforço com vacina tríplice bacteriana (DTP – difteria, tétano e coqueluche)
Adultos e adolescentes (> 10 anos de idade): Reforço de dT (difteria e tétano) a cada 10 anos.
Para adultos sem cobertura vacinal prévia, recomenda-se:
dT: 3 doses — intervalo de 1 a 2 meses entre as duas primeiras doses e 6 a 12 meses até a terceira.
Reforço de dT — a cada 10 anos.
Manter o calendário em dia garante níveis adequados de anticorpos e proteção duradoura contra o tétano.

Profilaxia do Tétano em caso de ferimento suspeito – abordagem em 4 etapas
Chega ao Pronto-Socorro um paciente com um corte (ou queimadura). De forma prática, o que fazer em relação a profilaxia do tétano?
1º PASSO – Avaliação do histórico vacinal.O primeiro passo é verificar se o paciente já tomou vacina antitetânica:
- Nunca vacinado: iniciar o esquema com 3 doses da vacina dT, com intervalo de 2 meses entre as doses.
- Última dose há mais de 10 anos: administrar uma dose de reforço.
- Última dose há entre 5 e 10 anos: reforço indicado apenas em caso de ferimentos graves ou se a paciente estiver gestante.
- Última dose há menos de 5 anos: não há necessidade de revacinação.
Em crianças:
- Sem doses anteriores: iniciar o esquema básico conforme a faixa etária.
- Apenas 1 dose prévia: administrar a 2ª dose no momento e agendar a 3ª.
- Duas doses anteriores: administrar uma dose de reforço.
Classificar o ferimento como leve ou grave:
Ferimentos leves: superficiais, limpos, sem corpos estranhos ou tecidos desvitalizados.
Ferimentos graves: incluem lesões profundas ou contaminadas, presença de corpos estranhos ou necrose tecidual, queimaduras, feridas puntiformes, lesões por arma branca ou de fogo, mordeduras, politraumatismos e fraturas expostas.
3º PASSO – Indicação de imunoglobulina ou soro antitetânico.Nos casos de ferimentos graves em pacientes com situação vacinal incerta, menos de 3 doses de dT, ou última dose há mais de 5 anos em idosos, imunodeprimidos ou desnutridos graves, está indicada a profilaxia com vacina contra tétano e imunoprofilaxia passiva.
Imunoglobulina Humana Antitetânica. Apresentação: frasco-ampola com 250 UI. Posologia: 250 UI, via intramuscular, em dose única, aplicada em local diferente da vacina.
Soro Antitetânico. Apresentações: 5.000 U, 10.000 U ou 20.000 U. Posologia: 5.000 U por via intramuscular, em dose única, também em local diferente da vacina.

Ferimentos leves: realizar limpeza com soro fisiológico, antissépticos ou substâncias oxidantes, e, se necessário, desbridamento local.
Ferimentos graves: irrigar com soro fisiológico e substâncias oxidantes (como água oxigenada), remover corpos estranhos e tecidos desvitalizados, e proceder ao desbridamento cirúrgico completo, se indicado.
Saiba mais sobre o esquema de vacinação contra tétano e outras doenças com WeMEDS®
O tétano é uma infecção grave que afeta principalmente os sistemas nervosos central e periférico, causada pela neurotoxina produzida pelo Clostridium tetani.
Embora atualmente raro em países desenvolvidos graças à ampla cobertura vacinal, o tétano ainda representa uma ameaça significativa para indivíduos não vacinados, especialmente em regiões com acesso limitado à saúde.
A profilaxia eficaz exige conhecimento atualizado sobre o esquema de vacinação antitetânica, além da identificação precoce de pessoas em risco e do manejo adequado de feridas potencialmente contaminadas.

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Referências:
Sexton, DJ - Tetanus. In: UpToDate, Post TW (Ed), UpToDate, Waltham, MA.
Diphtheria-Tetanus-Pertussis Vaccines. (2025). In Drugs and Lactation Database (LactMed®). National Institute of Child Health and Human Development.
Callison, C., & Nguyen, H. (2023). Tetanus Prophylaxis. In StatPearls. StatPearls Publishing.
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Tétano acidental. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/tetano-acidental. Acessado em 26 de junho de 2025.