Ondas de calor no Brasil e os riscos à saúde pública: insolação, desidratação e aumento da mortalidade

Ondas de calor no Brasil e os riscos à saúde pública: insolação, desidratação e aumento da mortalidade
Ondas de calor no Brasil

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O que são ondas de calor e por que estão aumentando no Brasil

As ondas de calor no Brasil estão se tornando cada vez mais frequentes e intensas, configurando um desafio emergente para a saúde pública.

Esses eventos climáticos são caracterizados por períodos prolongados de temperaturas elevadas, muitas vezes associadas à alta umidade do ar, e estão diretamente relacionados ao aumento de casos de insolação, desidratação e agravamento de doenças crônicas.

Embora não exista uma definição única para ondas de calor, geralmente elas são identificadas quando as temperaturas permanecem acima dos padrões climatológicos por dois ou mais dias consecutivos.

A diversidade climática brasileira torna a avaliação dessas ondas de calor no Brasil ainda mais complexa. Enquanto regiões como a Amazônia enfrentam calor intenso associado à elevada umidade, áreas do Nordeste convivem com calor extremo e escassez hídrica, e o Sul apresenta padrões distintos de variação térmica.

Ondas de calor no Brasil e o impacto direto na saúde humana

Estudos realizados em diferentes regiões do país demonstram que o risco de mortalidade aumenta proporcionalmente à intensidade das ondas de calor no Brasil, com impacto mais expressivo entre idosos, mulheres, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Dados recentes indicam um crescimento significativo no número de ondas de calor registradas no Brasil desde a década de 1970, especialmente em capitais localizadas em regiões de baixa latitude.

O verão de 2024/2025 foi considerado o mais quente desde o início das medições sistemáticas, com temperaturas médias acima do padrão histórico. Fenômenos climáticos como o El Niño, aliados a alterações na circulação atmosférica e ao aquecimento dos oceanos, contribuíram para esse cenário.

Em determinadas regiões, esses eventos coincidiram com episódios de poluição atmosférica decorrentes de incêndios florestais, ampliando ainda mais os riscos à saúde.

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Insolação, desidratação e estresse térmico: principais riscos do calor extremo à saúde

As ondas de calor afetam diretamente a capacidade do organismo de regular a temperatura corporal. Em condições de calor intenso e umidade elevada, os mecanismos fisiológicos de resfriamento, como a sudorese e a vasodilatação, tornam-se menos eficientes.

Como consequência, aumenta o risco de estresse térmico, exaustão pelo calor, insolação e desidratação no verão, condições que podem evoluir rapidamente para quadros graves e até fatais se não houver intervenção adequada, sendo consideradas doenças relacionadas ao calor. A desidratação, frequentemente associada a esses eventos, agrava ainda mais o quadro clínico, especialmente em populações vulneráveis.

A relação entre calor extremo e saúde pública gera impactos que vão além dos eventos agudos: o aumento da temperatura está associado ao crescimento da morbidade e da mortalidade por doenças cardiovasculares, respiratórias e neurológicas.

Além disso, o calor intenso pode exacerbar condições pré-existentes, como insuficiência cardíaca, doenças renais e câncer, ampliando a demanda por atendimentos de urgência e internações hospitalares.

Em um país onde grande parte da população depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), esse cenário representa um fator adicional de sobrecarga para os serviços de saúde.

Calor extremo, desigualdade social e ilhas de calor urbano

As desigualdades sociais desempenham papel central na amplificação dos riscos associados às ondas de calor. Populações que vivem em áreas urbanas densamente ocupadas, com pouca arborização e infraestrutura inadequada (as chamadas ilhas de calor urbano) estão mais expostas às temperaturas extremas.

Trabalhadores informais e aqueles que exercem atividades ao ar livre, como na construção civil e na agricultura, enfrentam maior risco de desidratação e insolação devido à exposição prolongada ao calor, muitas vezes sem acesso adequado à hidratação, pausas regulares ou ambientes de descanso.

Apesar das evidências crescentes, a mortalidade relacionada ao calor ainda é subestimada nas estatísticas oficiais brasileiras, o que dificulta o planejamento de políticas públicas eficazes. A fragmentação da governança e a ausência de protocolos nacionais amplamente implementados limitam a capacidade de resposta a eventos extremos.

Iniciativas pontuais, como sistemas de alerta para ondas de calor e protocolos municipais de resposta, representam avanços importantes, mas ainda insuficientes diante da magnitude do problema.

Ondas de calor no Brasil

Estratégias de prevenção e adaptação às ondas de calor no Brasil

Especialistas afirmam que para enfrentar os riscos das ondas de calor para a saúde pública no Brasil, é necessária uma abordagem integrada, que inclua vigilância epidemiológica, planejamento urbano, fortalecimento da atenção primária e estratégias específicas de proteção para grupos vulneráveis.

Medidas como centros temporários de hidratação e resfriamento, normas de segurança térmica no trabalho, ampliação de áreas verdes e campanhas educativas sobre prevenção da desidratação e da insolação são apontadas como fundamentais.

Ondas de calor e mudanças climáticas: desafios futuros para a saúde pública

Diante das projeções de intensificação das ondas de calor nos próximos anos, impulsionadas pelas mudanças climáticas, a adaptação do sistema de saúde brasileiro torna-se urgente.

A construção de resiliência frente ao calor extremo dependerá da articulação entre políticas públicas, setor saúde, planejamento urbano e participação comunitária, com foco na redução das desigualdades e na proteção da população mais exposta.

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Referências

Neves, J.M.; Garcia, K.K.S.; Oliveira, B.F.A.; Horta, M.A. Too Hot to Ignore: The Escalating Health Impact of Heatwaves in Brazil. Int. J. Environ. Res. Public Health 2025, 22, 1451.

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