Omeprazol: uso correto, indicações reais e erros comuns no dia a dia
O omeprazol é um dos medicamentos mais prescritos (e também mais banalizados) na prática clínica. Amplamente utilizado para doenças relacionadas ao excesso de ácido gástrico, ele costuma ser tomado de forma contínua, sem indicação clara ou reavaliação periódica.
Entender quando usar, como usar e quando suspender é essencial para evitar riscos desnecessários.
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Para que serve o omeprazol?
O omeprazol pertence à classe dos inibidores da bomba de prótons (IBP) e atua reduzindo de forma intensa a produção de ácido no estômago.
Principais indicações:
- Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE);
- Gastrite e esofagite erosiva;
- Úlcera gástrica e duodenal;
- Lesões gástricas associadas ao uso de AINEs;
- Síndrome de Zollinger-Ellison;
- Profilaxia de aspiração em situações específicas.
⚠️ Importante: não é medicamento de uso universal para qualquer dor abdominal ou desconforto gástrico.
Como orientar o paciente quanto ao uso correto do omeprazol?
A eficácia do omeprazol depende diretamente do horário de administração e da adesão adequada ao esquema prescrito, sendo esse um dos principais fatores associados à falha terapêutica.
- O omeprazol deve ser administrado em jejum, idealmente 30 a 60 minutos antes da primeira refeição do dia, momento em que há maior ativação das bombas de prótons nas células parietais.
- A administração concomitante com alimentos reduz a biodisponibilidade e o efeito supressor ácido, comprometendo a resposta clínica.
- A dose usual em adultos varia entre 20 e 40 mg por via oral, uma vez ao dia, com tempo de uso definido, conforme a indicação clínica.
- O efeito terapêutico não é imediato, sendo dependente da inibição progressiva das bombas de prótons ativas, com resposta plena após alguns dias de uso contínuo.

Erros frequentes no uso do omeprazol
Na prática clínica, alguns equívocos são recorrentes e contribuem para ineficácia terapêutica, exposição desnecessária a riscos e atraso diagnóstico:
- Uso empírico e prolongado, sem indicação formal ou definição de tempo de tratamento.
- Administração fora do período de jejum ou de forma concomitante a outros medicamentos, reduzindo a biodisponibilidade e o efeito supressor ácido.
- Prescrição como “proteção gástrica” de rotina, na ausência de fatores de risco estabelecidos (ex.: uso de AINEs em pacientes de baixo risco).
- Manutenção do uso contínuo sem reavaliação clínica periódica ou tentativa de desprescrição.
- Percepção equivocada de segurança absoluta, levando à banalização do fármaco.
Essas condutas podem mascarar doenças gastrointestinais relevantes, retardar investigação adequada e aumentar o risco de eventos adversos.
Riscos associados ao uso prolongado de omeprazol
O uso crônico de inibidores da bomba de prótons, incluindo o omeprazol, está associado a:
- Deficiência de vitamina B12, por redução da acidez gástrica necessária à absorção.
- Hipomagnesemia, especialmente em associação com diuréticos ou outros fármacos predisponentes.
- Aumento do risco de fraturas ósseas, possivelmente relacionado à alteração da absorção de cálcio.
- Maior incidência de infecção por Clostridioides difficile.
- Interações medicamentosas clinicamente relevantes, com impacto em eficácia ou toxicidade de outros fármacos.
Dessa forma, o tratamento deve sempre apresentar indicação precisa, dose adequada e duração definida, com reavaliação periódica da necessidade de manutenção.

Quando o uso do omeprazol deve ser reavaliado?
A continuidade do tratamento deve ser revista quando:
- Os sintomas persistem apesar do esquema terapêutico adequado.
- Há necessidade de uso contínuo por período superior a 8 semanas, sem indicação formal de manutenção.
- Surgem sinais de alarme, como anemia, perda ponderal involuntária, vômitos persistentes ou disfagia, que exigem investigação diagnóstica adicional.
Considerações finais
O omeprazol é um medicamento eficaz e seguro quando corretamente indicado, porém seu uso indiscriminado ou prolongado pode resultar em mais riscos do que benefícios. A prescrição criteriosa, associada à orientação adequada e à reavaliação periódica, é fundamental para uma prática clínica segura e baseada em evidências.
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Referências:
Qi Q, Wang R, Liu L, Zhao F, Wang S. Comparative effectiveness and tolerability of esomeprazole and omeprazole in gastro-esophageal reflux disease: A systematic review and meta-analysis. Int J Clin Pharmacol Ther. 2015 Oct;53(10):803-10. doi: 10.5414/CP202396. PMID: 26329348.
Shah N, Gossman W. Omeprazole. 2022 Jul 23. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan–. PMID: 30969608.
PEPRAZOL® omeprazol. Libbs Farmacêutica Ltda. Bula de medicamento.