Linfadenite supurativa: o que é, causas, patógenos e tratamento

Linfadenite supurativa: o que é, causas, patógenos e tratamento
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Linfadenite supurativa é uma infecção bacteriana aguda de um ou mais linfonodos, manifestando-se por aumento de volume, dor, eritema, calor local e formação de abscesso intralinfonodal, frequentemente com flutuação à palpação.

Trata-se de uma infecção profunda de partes moles, geralmente secundária à disseminação de microrganismos a partir de um foco infeccioso regional, sendo os agentes mais frequentemente envolvidos Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes.

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O que é linfadenite supurativa e como ocorre?

A linfadenite supurativa é uma forma de infecção aguda dos linfonodos, decorrente da invasão bacteriana do tecido linfonodal. Pode ser precipitada por infecções do trato respiratório superior, inoculação direta por trauma ou arranhadura, ou disseminação hematogênica de patógenos.

O processo infeccioso leva à ativação local de células do sistema imune, principalmente macrófagos e células dendríticas, que recrutam rapidamente neutrófilos para o interior do linfonodo.

A infiltração maciça de neutrófilos resulta em fagocitose dos microrganismos e liberação de mediadores inflamatórios, culminando em necrose liquefativa do tecido linfático e formação de pus. O acúmulo de exsudato purulento gera aumento de volume, dor, eritema e flutuação local.

A barreira física e funcional do linfonodo, composta por células endoteliais, macrófagos e matriz extracelular, normalmente limita a disseminação bacteriana. No entanto, quando a resposta inflamatória é intensa e há destruição tecidual, pode ocorrer drenagem espontânea do abscesso para tecidos adjacentes ou formação de fístulas cutâneas.

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Principais patógenos envolvidos na linfadenite supurativa

Os principais agentes etiológicos são:

  • Staphylococcus aureus (incluindo MRSA) - 40-80% dos casos. Em crianças pequenas, até 93% dos casos.
  • Streptococcus pyogenes - geralmente associado à faringite.
  • Estreptococos do grupo B - mais comum em neonatos / lactentes.

Outros patógenos menos comuns:

  • Micobactérias (como complexo Mycobacterium avium).
  • Bartonella henselae.
  • Mycobacterium bovis - casos pós-vacinação BCG.

Fatores de risco para linfadenite supurativa

Os principais fatores de risco são:

  • Crianças, principalmente pequenas. Risco maior em < 5 anos.
  • Infecções de vias aéreas superiores.
  • Trauma local.
  • Inoculação cutânea (p.ex. arranhadura de gato).
  • Imunocomprometimento.
  • Vacinação BCG - casos raros.
  • Exposição comunitária a MRSA.
  • Contato com animais.
  • Histórico de infecções cutâneas recorrentes.
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Como identificar um paciente com linfadenite supurativa?

O diagnóstico é clínico, confirmado por ultrassonografia. A identificação de linfonodo maior que 2-3 cm, doloroso, com eritema e sensibilidade local, especialmente se acompanhado de febre ou sinais sistêmicos, é bastante sugestiva.

Sinais / sintomas típicos: aumento localizado de linfonodo, dor, eritema, calor e edema. A flutuação à palpação é frequente, indicando presença de pus. Pode haver febre e sintomas sistêmicos, especialmente em crianças.

A pele sobre o linfonodo pode apresentar-se tensa, brilhante e, em casos avançados, pode ocorrer fistulização espontânea com drenagem de material purulento.

A linfadenite supurativa cervical é a forma mais comum da doença em crianças. Caracteriza-se pelo acometimento dos linfonodos da cadeia cervical anterior, geralmente de forma unilateral, com aumento de volume doloroso, eritema e flutuação. Está frequentemente associada a infecções de vias aéreas superiores e é a principal causa de drenagem cirúrgica por linfadenite na infância.

Tratamento da linfadenite supurativa

As opções de tratamento para linfadenite supurativa dependem da gravidade e da presença de complicações.

Para linfadenite supurativa não complicada, o tratamento inicial envolve antibióticos orais de espectro estreito, visando S. aureus e Streptococcus grupo A. Em regiões ou situações com suspeita de MRSA, antibióticos mais potentes / específicos devem ser considerados.

Em caso de dor ou febre, associar dipirona. O uso de corticosteroides é contraindicado, pois pode mascarar doenças malignas.

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Quando drenar?

Na presença de abscesso, flutuação ou falha terapêutica após 48–72 horas de antibiótico, está indicada drenagem por punção aspirativa ou incisão cirúrgica, associada a antibioticoterapia. Em casos de linfadenite por micobactérias, a excisão cirúrgica completa do linfonodo é o padrão-ouro.

Prognóstico da linfadenite supurativa

O prognóstico geralmente é favorável quando o diagnóstico e o tratamento são precoces, com resolução completa na maioria dos casos.

Casos complicados, especialmente com abscesso ou necessidade de intervenção cirúrgica, podem cursar com internação prolongada e risco aumentado de sequelas locais. A mortalidade é rara.

Leia também: Infecção por Streptococcus pyogenes: sinais clínicos, diagnóstico e tratamento

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Referências:

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