Hipertensão arterial resistente: pílula tripla garante melhor controle da pressão em estudo brasileiro

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Estudo brasileiro aponta novo comprimido triplo de maior eficácia no controle da hipertensão arterial resistente.

Um estudo clínico brasileiro, intitulado OPTION TREAT, trouxe avanços promissores no manejo da hipertensão arterial resistente a terapias de duas drogas. A pesquisa comparou a eficácia de uma fórmula inovadora (candesartana, anlodipina e clortalidona) a uma combinação já aceita de valsartana, amlodipina e hidroclorotiazida.

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Contexto e necessidade clínica no tratamento da hipertensão

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica que afeta mais de um bilhão de pessoas no mundo e figura entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Um dos grandes desafios no seu manejo é o caráter silencioso nas fases iniciais: na maioria dos casos, a doença evolui de forma assintomática até provocar lesões irreversíveis em órgãos-alvo, como coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos.

Quando os sintomas se tornam perceptíveis, muitas vezes já existe comprometimento orgânico significativo, o que aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência renal crônica.

Além disso, em países de renda baixa e média, barreiras socioeconômicas dificultam tanto o acesso quanto a adesão ao tratamento da hipertensão, reduzindo ainda mais as chances de controle adequado da pressão arterial.

Nesse cenário, estratégias de rastreamento precoce, associadas a mudanças no estilo de vida e ao tratamento farmacológico guiado por diretrizes, são fundamentais para prevenir complicações.

Entre as alternativas disponíveis para o tratamento da hipertensão, os comprimidos combinados em dose fixa (SPCs — single-pill combinations) vêm ganhando destaque por simplificarem o regime terapêutico, melhorarem a adesão dos pacientes e aumentarem as taxas de controle pressórico.

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OPTION TREAT: como foi realizado o estudo

Desenho: ensaio clínico randomizado, duplo-cego, comparando as duas formulações em uso.

Participantes: 703 adultos com hipertensão persistente mesmo usando duas medicações, média de idade 57,8 anos, 62,7% mulheres, com PA de 153/95,6 mmHg ao início.

Tratamento: o grupo experimental recebeu a pílula tripla para hipertensão - uma combinação de candesartana cilexetila 16 mg + clortalidona 12,5 mg + anlodipino 5 mg; o grupo controle, valsartana 160 mg + hidroclorotiazida 12,5 mg + anlodipino 5 mg, por 12 semanas.

Desfecho primário: redução da pressão arterial sistólica após 12 semanas.

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Resultados principais - nova combinação supera tratamento tradicional no controle da hipertensão

Após 12 semanas de acompanhamento, a nova combinação em comprimido único demonstrou resultados superiores em relação ao tratamento da hipertensão tradicional.

A redução da pressão arterial sistólica foi mais acentuada no grupo experimental, com média de –22,6 mmHg, em comparação a –18,2 mmHg no grupo controle, correspondendo a uma diferença estatisticamente significativa de –4,4 mmHg (IC 90%: –6,3 a –2,5; p < 0,001). A pressão diastólica também apresentou queda mais expressiva no grupo experimental (–13,8 mmHg contra –12,0 mmHg; p = 0,008).

Como resultado, cerca de dois terços dos pacientes tratados com a nova formulação atingiram valores abaixo de 140/90 mmHg, índice superior ao observado no grupo controle.

O perfil de segurança foi considerado favorável: eventos adversos graves foram raros, e manifestações como tontura, hipotensão e edema periférico ocorreram em menos de 3% dos participantes. Além disso, apenas três pacientes do grupo controle precisaram suspender o tratamento devido a efeitos colaterais.

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Potenciais benefícios clínicos e limitações da pílula tripla para hipertensão arterial resistente

A combinação dos três fármacos oferece mecanismos complementares de ação, reforçando a eficácia no controle da pressão arterial e, ainda, podendo reduzir a incidência de efeitos adversos associados a altas doses de drogas isoladas.

O uso de combinações em apenas uma formulação também está associado à melhor adesão, reduzindo a carga de comprimidos a serem tomados diariamente no tratamento da hipertensão arterial.

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Os resultados do OPTION TREAT indicam que a nova composição tripla em um único comprimido oferece um controle de pressão superior em comparação com uma combinação consagrada, mantendo perfil de segurança aceitável em pacientes com hipertensão resistente à dupla terapia. No entanto, o estudo apresenta algumas restrições que precisam ser consideradas na interpretação dos resultados.

Como foi conduzido exclusivamente no Brasil, a generalização para outras populações pode ser limitada por diferenças genéticas, dietéticas e relacionadas aos sistemas de saúde. Além disso, o seguimento foi de apenas 12 semanas, o que não permite avaliar desfechos cardiovasculares de longo prazo, sustentabilidade da adesão ou segurança estendida.

Outro aspecto é a ausência de monitorização ambulatorial ou domiciliar da pressão arterial, que poderia oferecer uma visão mais detalhada sobre variabilidade pressórica e controle noturno.

Cabe ainda destacar que o artigo foi publicado em formato “pre-proof”, ou seja, antes da revisão editorial final. Isso significa que ajustes de forma ou pequenas modificações de conteúdo ainda podem ocorrer até a versão definitiva.

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Referências:

Madrini, V., Jr, Tavares, C. A. M., Albuquerque, M. T. A., Silvestre, O. M., Felicio, J. S., Silveira, F. S., Hissa, M. N., Antunes, M. O., Mota-Gomes, M. A., Vidotti, M. H., Fuchs, F. D., Marcondes-Braga, F. G., Filho, C. R. H., Troiani do Nascimento, C., Bastos, R. A., Brandão, A. A., Cestário, E. E. S., Bortolotto, L. A., Castilho, V. C., Lapa, M. G., … Guimarães, P. O. (2025). Efficacy and Safety of a Novel Triple Single-Pill For Uncontrolled Hypertension: the OPTION TREAT Trial. JACC. Advances, 102175. Advance online publication. https://doi.org/10.1016/j.jacadv.2025.102175

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