Gripe K: o que é a nova variante do influenza A (H3N2) detectada no Brasil
A “gripe K”, nova variante do vírus influenza A (H3N2), foi identificada pela primeira vez no Brasil a partir da análise genômica de um caso importado no estado do Pará. A detecção foi realizada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e integra o esforço de monitoramento internacional das mutações do vírus da gripe.
O achado destaca a relevância da vigilância genômica contínua para acompanhar a evolução dos vírus respiratórios e antecipar possíveis impactos na saúde pública. Apesar da atenção gerada no cenário global da influenza, não há, até o momento, evidências de transmissão local nem de aumento da gravidade da doença no país.
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O que é a gripe K?
A chamada gripe K refere-se à infecção causada pelo subclado K (J.2.4.1) do vírus influenza A (H3N2). Trata-se de uma variação genética recente dentro de um subtipo já conhecido da influenza, responsável por grande parte dos casos de gripe sazonal em todo o mundo.
Os vírus influenza sofrem mutações frequentes ao longo do tempo. Essas mudanças genéticas, chamadas de deriva antigênica, podem gerar novos clados e subclados, como o K, que passam a ser monitorados por sistemas globais de vigilância devido ao seu potencial de disseminação.
É importante destacar que a identificação de um novo subclado não significa, necessariamente, maior gravidade clínica, mas reforça a necessidade de acompanhamento contínuo.
Em termos práticos, a gripe K não representa uma nova doença, mas uma variante genética do vírus influenza A (H3N2), monitorada por seu potencial de disseminação.Como o subclado K foi identificado no Brasil?
A amostra foi coletada em 26 de novembro, em Belém (PA), durante as ações de vigilância de vírus respiratórios. Inicialmente, o Laboratório Central do Estado do Pará (LACEN-PA) confirmou tratar-se de influenza A (H3N2).
Posteriormente, o material foi encaminhado ao Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC/Fiocruz, referência nacional e internacional em vigilância da influenza. Por meio de sequenciamento genético, os pesquisadores identificaram que o vírus pertencia ao subclado K.
A amostra foi obtida de uma paciente adulta, do sexo feminino, estrangeira, procedente das ilhas Fiji, o que levou à classificação do caso como importado, sem relação com a circulação viral atual no Brasil.

O subclado K da gripe está circulando no Brasil?
Segundo especialistas do IOC/Fiocruz, o aumento recente de casos de influenza A observado em alguns estados brasileiros não está associado ao subclado K. Atualmente, o clado predominante no país é o J.2.3.
Esse dado indica que, até agora, o subclado K não está impulsionando a transmissão da gripe no Brasil, embora a vigilância permaneça intensificada para detectar possíveis novas introduções.
Atenção internacional: aumento do subclado K na Europa e Ásia
A identificação do subclado K no Brasil ocorre em um contexto de alerta internacional. Países da Europa e do leste asiático registraram início antecipado da temporada de gripe, com predomínio do influenza A (H3N2) e crescimento rápido da circulação da variante.
Na Europa, o subclado K chegou a representar quase metade das sequências genéticas analisadas entre maio e novembro de 2025. Apesar disso, não houve aumento significativo de hospitalizações, internações em UTI ou óbitos até o momento.
Especialistas reforçam, no entanto, que temporadas dominadas pelo H3N2 costumam ser mais severas em idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.

Vacina contra gripe protege contra o subclado K?
Sim. A composição da vacina contra influenza foi atualizada para incluir cepas mais próximas dos vírus atualmente em circulação, incluindo variantes relacionadas ao subclado K.
A vacinação continua sendo a principal estratégia para prevenir casos graves, hospitalizações e óbitos por gripe, mesmo diante do surgimento de novas variantes.
Além da vacinação, seguem válidas as medidas clássicas de prevenção contra a gripe - higienização frequente das mãos, evitar contato próximo ao apresentar sintomas respiratórios, uso de máscara em caso de febre, tosse ou coriza e procura precoce por atendimento médico em situações de maior gravidade.
Para os serviços de saúde, o foco permanece no fortalecimento da vigilância epidemiológica, laboratorial e genômica, essencial para identificar rapidamente novas variantes.

O que significa a identificação do subclado K no Brasil?
A detecção do subclado K representa, sobretudo, um indicador da robustez do sistema brasileiro de vigilância em saúde. A capacidade de identificar precocemente uma variante ainda rara no país demonstra eficiência técnica e integração com redes internacionais de monitoramento.
Até o momento, trata-se de um evento pontual, sem impacto direto na epidemiologia da gripe no Brasil. Ainda assim, o acompanhamento contínuo é essencial, já que o vírus influenza segue em constante evolução.
Em resumo, a gripe K já foi identificada no Brasil, mas não está associada à transmissão local nem à maior gravidade clínica até o momento.
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Referências:
Nota informativa - Influenza A(H3N2) subclado K (J.2.4.1), considerações para a Região das Américas - 11 de dezembro de 2025.
OPAS, Organização Pan-Americana de Saúde. Diante do aumento global do subclado K da influenza A(H3N2), OPAS reforça importância da vacinação e da vigilância nas Américas. Publicado em 12/12/2025.