Gestação acima dos 40 anos: tendência crescente e riscos associados

Gestação acima dos 40 anos: tendência crescente e riscos associados
gravidez

Riscos inerentes a uma gestação acima dos 40 anos você já deve ter lido ou visto: quanto maior a idade da mulher, maior o número de doenças crônicas, como obesidade, hipertensão, diabetes, dislipidemias, doenças cardiovasculares e doenças autoimunes, que com certeza são fatores impactantes no risco gestacional. Além disso, uma gestação nessa faixa etária traz maiores complicações maternas, gestacionais, obstétricas e fetais. Nesse post, trazemos informações mais aprofundadas sobre tal tema.

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A maternidade tem sido adiada

Mudanças drásticas na sociedade transformaram a maternidade em um objetivo cada vez mais adiado entre as mulheres.

Mulheres, em ritmo progressivo, procuram mais educação de qualidade e continuada, independência e estabilidade financeira, ascensão nas suas carreiras profissionais, além de cada vez mais terem dificuldade em encontrar um parceiro com quem estejam dispostas a ser pai de seus futuros filhos.

gestação tardia
Fonte da imagem: Febrasgo Notícias: Em 20 anos, gravidez após os 35 anos cresce 65% no Brasil

Gestações gemelares e reprodução assistida: riscos, classificação e normas para mulheres acima de 35 anos

O aumento da prevalência de gestações múltiplas tem sido associado à técnica de reprodução assistida (TRA), cada vez mais procurada entre as mulheres acima de 40 anos. A Resolução CFM nº 2.320/2022 atualiza as normas sobre reprodução assistida no Brasil para o número de embriões a serem transferidos, que variam conforme a idade da mulher:

  • Mulheres até 37 anos: podem transferir até 2 embriões.
  • Mulheres acima de 37 anos: podem transferir até 3 embriões.

A idade materna avançada também está relacionada a uma maior prevalência de gestações gemelares. Portanto, o efeito combinado do maior risco de gêmeos concebidos espontaneamente associado à idade materna avançada e ao uso de TRA explica o aumento das gestações gemelares em mulheres acima de 40 anos.

Taxa de gemelaridade gestação acima dos 40 anos

Gestações gemelares podem ser dizigóticas ou monozigóticas.

Nas dizigóticas (bivitelinos), dois óvulos distintos são fertilizados por dois espermatozoides diferentes. Assim, podem ser do mesmo sexo ou sexos diferentes e cada feto sem sua placenta (dicoriônica) e saco amniótico (diamniótica).

Os gêmeos monozigóticos (univitelinos) originam-se de um óvulo fertilizado que se divide em dois embriões. Sempre são do mesmo sexo e geneticamente idênticos, embora pequenas mutações pós-divisão possam ocorrer.

A classificação depende do momento da divisão:

Nos dicoriônicos e diamnióticos ocorre a divisão até o 3º dia após a fertilização, e cada feto tem placenta e saco próprio.

Os monocoriônicos diamnióticos têm divisão entre o 4º e o 8º dia pós-fertilização, compartilhando a placenta e com sacos amnióticos separados.

Os monocoriônicos monoamnióticos são provenientes da divisão entre o 9º e 12º dia pós-fertilização, compartilhando a mesma placenta e o mesmo saco amniótico.

Taxa de gemelaridade gestação acima dos 40 anos

Complicações obstétricas em gestações por reprodução assistida: cesarianas, diabetes e hipertensão em mulheres de idade avançada

O estudo de La Calle et al. (2021) mostrou que houve mais cesarianas no grupo de mulheres que conceberam por TRA do que no grupo de gestações espontâneas.

Mães de idade avançada apresentaram quase três vezes mais probabilidade de ter partos cesáreos em comparação às mães adultas. Isso pode ser explicado pelo fato de que a proporção de má apresentação fetal e histórico obstétrico desfavorável foi maior em mães de idade avançada.

A prevalência de diabetes gestacional foi maior em mulheres que conceberam por TRA do que espontaneamente. Acredita-se que a maior incidência esteja relacionada a alterações no volume sanguíneo, lesão endotelial vascular, diminuição da afinidade do receptor de insulina e da sensibilidade à insulina com a idade.

Por isso, orientações sobre alimentação saudável e rastreamento de diabetes gestacional devem ser consideradas desde a primeira consulta da gestação, para potencialmente evitar parte dessas complicações.

MEHARI, A. et al. (2020) encontraram associação da idade materna avançada com hipertensão gestacional, na qual mães de idade avançada apresentaram quatro vezes mais probabilidade de desenvolver a condição do que mães mais novas. Tal fato pode ser atribuído à diminuição da resposta endotelial a vasodilatadores com o avanço da idade materna.

Complicações obstétricas durante a gestação, como trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas ou placenta acreta, estiveram mais relacionadas a fatores como TRA ou paridade do que à idade materna avançada (acima de 40 anos).

diabetes preexistente na gestação acima dos 40 anos

Gestação acima dos 40 anos: hemorragia, pré-eclâmpsia e complicações relacionadas à idade materna avançada

Mulheres acima de 40 anos também apresentaram maior risco de hemorragia pós-parto. O maior risco de hemorragia pós-parto e histerectomia obstétrica no grupo de mulheres acima de 40 anos pode estar relacionado à maior taxa de placenta acreta.

A idade materna avançada foi significativamente associada também à hemorragia anteparto (sangramento vaginal que ocorre após a 20ª semana de gestação e antes do início do trabalho de parto).

Mulheres nulíparas com idade materna avançada apresentaram maior risco de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e ruptura prematura de membranas, enquanto mulheres multíparas dessa faixa etária apresentaram maior risco de diabetes mellitus gestacional, anemia, polidrâmnio, ruptura prematura de membranas e trabalho de parto prematuro. A literatura diz que o aumento do risco de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, eclâmpsia relacionado à idade materna avançada ocorreu apenas em mulheres nulíparas, não em multíparas.

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Idade materna avançada e riscos neonatais

Quanto aos óbitos fetais e RCIU (restrição de crescimento intrauterino), os estudos ainda são muito controversos.

Alguns encontram correlação considerável entre a gravidez tardia e essas condições, já outros mostram correlação muito baixa ou inexistente. Já em outro estudo, a idade materna tem associação significativa com parto prematuro e baixo peso ao nascer. Mães de idade avançada tiveram quase quatro vezes mais probabilidade de ter bebês prematuros que mães adultas.

Um estudo isolado mostrou que bebês de mães de idade avançada têm quase três vezes mais probabilidade de morrer na primeira semana de vida do que bebês do grupo de referência. Este estudo também mostrou que mães de idade avançada têm 7,5 vezes mais probabilidade de ter bebês com baixo escore de Apgar no quinto minuto. Mas, a idade materna não apresentou associação estatisticamente significativa com macrossomia, anomalias congênitas e gestação pós-termo.

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Idade materna avançada: impactos na gravidez e no bebê

Apesar da variabilidade dos achados entre os estudos, algumas complicações se destacam na gestação em idade avançada, como partos cesáreos, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional e hemorragia anteparto e pós-parto, com influência da paridade sobre esses desfechos.

Os resultados aos fetos são ainda mais controversos, mas parece haver relação quanto ao baixo peso ao nascer e à prematuridade.

Considerando que a gravidez acima dos 40 anos é cada vez mais frequente, o acompanhamento pré-natal, parto e pós-parto deve ser tão criterioso quanto em gestantes adultas, a fim de minimizar riscos maternos e neonatais.

gravidez depois dos 40 anos

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Referências:

DE LA CALLE, M. et al. Women aged over 40 with twin pregnancies have a higher risk of adverse obstetrical outcomes. International Journal of Environmental Research and Public Health, Basel, v. 18, n. 24, p. 13117, 2021. Disponível em: https://www.mdpi.com/1660-4601/18/24/13117 . Acesso em: 3 out. 2025.

MEHARI, A. et al. Advanced maternal age pregnancy and its adverse obstetrical and perinatal outcomes in Ayder comprehensive specialized hospital, Northern Ethiopia, 2017: a comparative cross-sectional study. BMC Pregnancy and Childbirth, London, v. 20, n. 482, 2020. Disponível em: https://bmcpregnancychildbirth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12884-020-2740-6. Acesso em: 3 out. 2025.

LUO, Q. et al. Pregnancy complications among nulliparous and multiparous women with advanced maternal age: a community-based prospective cohort study in China. BMC Pregnancy and Childbirth, London, v. 20, n. 581, 2020. Disponível em: https://bmcpregnancychildbirth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12884-020-03284-1. Acesso em: 3 out. 2025.

BERTHOUX, Dominique. Quais são os tipos de gravidez gemelar? Disponível em: https://www.paineluspdegemeos.com.br/post/quais-s%C3%A3o-os-tipos-de-gravidez-gemelar.  Acesso em: 3 out. 2025.

Febrago: Em 20 anos, gravidez após 35 anos cresce 65% no Brasil. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/732-em-20-anos-gravidez-apos-os-35-anos-cresce-65-no-brasil. Acesso em: 3 out. 2025.

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