EuroSCORE II: Avaliação de risco em cirurgia cardíaca de grande porte
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EuroSCORE II - Histórico e Desenvolvimento
O EuroSCORE II (European System for Cardiac Operative Risk Evaluation) é um sistema desenvolvido para estratificação do risco de mortalidade hospitalar em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca de grande porte. Baseado em 18 critérios clínicos e fisiológicos, o escore oferece uma estimativa precisa do risco cirúrgico individual.
O EuroSCORE original foi criado em 1999, mas devido às mudanças em técnicas cirúrgicas e cuidados intensivos, tornou-se necessário atualizar o modelo. Assim, nasceu a versão II, desenvolvida a partir de um estudo prospectivo com 22381 pacientes em 154 hospitais de 43 países, conduzido em 2010.

Critérios Avaliados pelo EuroSCORE II
O EuroSCORE II considera 18 variáveis, incluindo idade, sexo, diabetes insulinodependente, disfunção pulmonar ou renal, mobilidade reduzida, estado crítico pré-operatório, histórico de infarto recente, função ventricular e urgência do procedimento.
- Idade: cada ano acima de 60 anos aumenta a pontuação.
- Sexo: feminino adiciona risco relativo de 0,219.
- Diabetes insulinodependente – se sim, adiciona risco de 0,3542749.
- Disfunção pulmonar crônica – se sim, adiciona risco de 0,1886564.
- Mobilidade reduzida por doença neurológica ou muscular – adiciona 0,2407181.
- Disfunção renal: maior risco para clearance ≤ 50 mL/min ou pacientes em diálise.
- Estado crítico no pré-operatório – risco maior.
- Resultado no escore NYHA – proporcional; quanto maior a classe, maior o risco.
- CCS classe 4 - incapaz de realizar qualquer atividade sem angina ou angina em repouso.
- Arteriopatia extracardíaca - risco maior.
- Cirurgia cardíaca prévia - ao menos 1 cirurgia que abriu pericárdio.
- Endocardite ativa - sob antibiótico durante cirurgia.
- Fração de ejeção – quanto menor, maior o risco.
- Infarto do miocárdico recente – últimos 90 dias.
- Pressão sistólica da artéria pulmonar (mmHg) – quanto maior, maior o risco.
- Urgência do procedimento - cirurgias emergenciais ou resgate aumentam significativamente o risco.
- Tamanho do procedimento – dois ou três grandes procedimentos no mesmo momento aumentam consideravelmente o risco.
- Cirurgia da aorta torácica – aumenta o risco.
A pontuação final é transformada em percentual de mortalidade hospitalar, permitindo ao médico avaliar o risco-benefício do procedimento.

Avaliação de risco cirúrgico - vantagens e limitações
O EuroSCORE II deve ser aplicado antes da cirurgia cardíaca de grande porte. Seu principal objetivo é fornecer uma estimativa de risco confiável, auxiliando na tomada de decisão clínica e no planejamento do cuidado perioperatório.
Por outro lado, dois critérios do escore, NYHA e CCS (Canadian Cardiovascular Society), podem variar conforme o observador, o que pode gerar pequenas diferenças no resultado. Por isso, o escore deve ser usado como ferramenta complementar, e não como substituto da avaliação clínica.
Leia também: Escore NYHA no prognóstico da insuficiência cardíaca

Próximos passos após a avaliação
Com a porcentagem de mortalidade prevista, o médico pode definir a melhor conduta, equilibrando benefício e risco para o paciente. É importante lembrar que cirurgias cardíacas de grande porte podem levar a complicações como alterações respiratórias, hemorragias, arritmias, hipo/hipertensão, infecções e AVC.
Em situações de instabilidade, não se deve atrasar esforços de ressuscitação para avaliações diagnósticas. O EuroSCORE II é uma ferramenta para planejamento seguro, mas a prioridade é sempre a estabilização do paciente.

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Referências:
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Garcia-valentin A, Mestres CA, Bernabeu E, et al. Validation and quality measurements for EuroSCORE and Euro SCORE II in the Spanish cardiac surgical population: a prospective, multicentre study. Eur J Cardiothorac Surg. 2016;49(2):399-405.
Chalmers J, Pullan M, Fabri B, et al. Validation of EuroSCORE II in a modern cohort of patients undergoing cardiac surgery. Eur J Cardiothorac Surg. 2013;43(4):688-94.
Kalender M, Adademir T, Tasar M, et al. Validation of EuroSCORE II risk model for coronary artery bypass surgery in high-risk patients. Kardiochir Torakochirurgia Pol. 2014;11(3):252-6.