Escore TASH na Prática Clínica: Indicação, Interpretação e Limitações
O escore TASH foi desenvolvido para estimar a probabilidade de que um paciente com hemorragia grave decorrente de trauma precise ser incluído em um protocolo de transfusão maciça. Ele é composto por oito critérios clínicos, fisiológicos e laboratoriais. A seguir, confira cada um desses critérios e a respectiva pontuação atribuída durante a avaliação do paciente com hemorragia grave pós-trauma.
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Escore TASH - Previsão da Necessidade de Transfusão Maciça no Trauma
O escore TASH (Trauma Associated Severe Hemorrhage) é baseado em oito critérios clínicos, fisiológicos e laboratoriais que determinam sua pontuação. Ele auxilia na definição do momento adequado para iniciar protocolos de transfusão em pacientes com hemorragia grave secundária ao trauma, tendo como principal objetivo estimar a probabilidade de necessidade de transfusão maciça.
Atrasos na indicação de transfusão em pacientes com hemorragia grave aumentam significativamente a mortalidade e a morbidade. Por outro lado, a administração desnecessária de hemoderivados também está associada a piores desfechos clínicos.
Dessa forma, o escore TASH se mostra uma ferramenta valiosa para reduzir complicações em ambos os cenários, funcionando como um preditor confiável da necessidade de transfusão maciça em vítimas de trauma.

Como utilizar a pontuação TASH
A pontuação TASH tem 8 critérios clínicos, fisiológicos e laboratoriais:
- Sexo do paciente
- Hemoglobina
- Base Excess (excesso de base)
- Pressão Arterial Sistólica
- Frequência Cardíaca
- FAST positivo para líquido intra-abdominal
- Fratura Pélvica clinicamente instável
- Fratura de Fêmur exposta

Leia também: Saiba como usar o Protocolo FAST (Focused Assessment With Sonography for Trauma).
Após a atribuição da pontuação individual para cada um dos critérios, é realizado o somatório total. A interpretação dependerá do valor total obtido no paciente avaliado.
No escore TASH, uma pontuação entre 1 e 8 corresponde a uma probabilidade de transfusão maciça inferior a 5%. A partir daí, a chance aumenta progressivamente: 9 pontos = 6%, 10 = 8%, 11 = 11%, 12 = 14%, 13 = 18%, 14 = 23%, 15 = 29%, 16 = 35%, 17 = 43%, 18 = 50%, 19 = 57%, 20 = 65%, 21 = 71%, 22 = 77%, 23 = 82% e, com 24 pontos ou mais, a probabilidade ultrapassa 85%.
Pontuação total = 1-8 pontos – a probabilidade de o paciente necessitar de uma transfusão sanguínea maciça é < 5%.
Pontuação total = 9 pontos - probabilidade de 6%.
Pontuação total = 10 pontos - probabilidade de 8%.
Pontuação total = 11 pontos - probabilidade de 11%.
Pontuação total = 12 pontos - probabilidade de 14%.
Pontuação total = 13 pontos - probabilidade de 18%.
Pontuação total = 14 pontos - probabilidade de 23%.
Pontuação total = 15 pontos - probabilidade de 29%.
Pontuação total = 16 pontos - probabilidade de 35%.
Pontuação total = 17 pontos - probabilidade de 43%.
Pontuação total = 18 pontos - probabilidade de 50%.
Pontuação total = 19 pontos - probabilidade de 57%.
Pontuação total = 20 pontos - probabilidade de 65%.
Pontuação total = 21 pontos - probabilidade de 71%.
Pontuação total = 22 pontos - probabilidade de 77%.
Pontuação total = 23 pontos - probabilidade de 82%.
Pontuação total > 24 pontos - probabilidade > 85%.

Cuidado com limitações e armadilhas
O escore TASH foi desenvolvido para estimar a probabilidade de um paciente com hemorragia grave decorrente de trauma necessitar de transfusão maciça. No entanto, sua utilidade restringe-se a essa previsão: ele não define a proporção nem a necessidade específica de cada componente sanguíneo, como concentrado de hemácias, plasma fresco ou plaquetas.
A decisão transfusional deve considerar tanto a pontuação do paciente no escore TASH quanto a avaliação clínica da equipe responsável. Embora cada instituição possua protocolos próprios para transfusão maciça, as proporções mais utilizadas entre plasma fresco, plaquetas e concentrados de hemácias são 1:1:1 ou 1:1:2.

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Referências:
Yücel N, Lefering R, Maegele M, Vorweg M, Tjardes T, Ruchholtz S, Neugebauer EA, Wappler F, Bouillon B, Rixen D; Polytrauma Study Group of the German Trauma Society. Trauma Associated Severe Hemorrhage (TASH)-Score: probability of mass transfusion as surrogate for life threatening hemorrhage after multiple trauma. J Trauma. 2006 Jun;60(6):1228-36; discussion 1236-7. doi: 10.1097/01.ta.0000220386.84012.bf. PMID: 16766965.
Maegele M, Lefering R, Wafaisade A, Theodorou P, Wutzler S, Fischer P, Bouillon B, Paffrath T; Trauma Registry of Deutsche Gesellschaft für Unfallchirurgie (TR-DGU). Revalidation and update of the TASH-Score: a scoring system to predict the probability for massive transfusion as a surrogate for life-threatening haemorrhage after severe injury. Vox Sang. 2011 Feb;100(2):231-8. doi: 10.1111/j.1423-0410.2010.01387.x. Epub 2010 Aug 24. PMID: 20735809.