Escore de Tomita: ferramenta essencial para avaliar metástases espinhais

escore de tomita
atestado médico

O escore de Tomita tem destaque na prática médica como um índice para definir a estratégia cirúrgica em pacientes com metástases espinhais e, ao mesmo tempo, estimar a sobrevida.

Desenvolvido no Japão pelo médico Katsuro Tomita, o escore surgiu a partir de um estudo com 61 pacientes. Desde então, é utilizado para orientar entre cirurgias de caráter excisional ou paliativo.

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O que é o Escore de Tomita?

O escore de Tomita é uma ferramenta clínica utilizada principalmente em oncologia e ortopedia oncológica. Seu objetivo é fornecer um guia claro para médicos decidirem o melhor tratamento para metástases espinhais, que podem comprometer gravemente a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes.

Além da definição da conduta cirúrgica, o escore também auxilia na previsão de expectativa de vida.

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Como funciona: critérios e pontuações

O escore de Tomita avalia três grandes critérios:

  1. Tumor primário:

- Crescimento lento (por exemplo, mama, próstata, tireoide): 1 ponto;

Crescimento moderado (por exemplo, rim, útero): 2 pontos;

Crescimento rápido (por exemplo, pulmão, fígado, estômago, cólon, primário desconhecido): 4 pontos.

  1. Metástases viscerais

- Ausente: 0 pontos;

Tratável: 2 pontos;

Intratável: 4 pontos.

  1. Metástases ósseas (incluindo coluna):

- Solitária isolada: 1 ponto;

  • Múltiplas: 2 pontos.

A soma dos pontos gera a pontuação final, que guiará a conduta médica.

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Quando e por que usar?

O escore de Tomita é indicado em pacientes com metástases espinhais. Sua aplicação auxilia na escolha entre tratamento cirúrgico excisional, cirurgia paliativa ou cuidados de suporte.

Outro ponto crucial: ele fornece uma estimativa de sobrevida, ajudando a alinhar expectativas com pacientes e familiares.

Interpretação

O resultado final é interpretado em quatro categorias:

  • 2–3 pontos – Controle local a longo prazo | sobrevida média: 50 meses.
  • 4–5 pontos – Controle local de médio prazo | sobrevida média: 23,5 meses.
  • 6–7 pontos – Tratamento paliativo de curto prazo | sobrevida média: 15 meses.
  • 8–10 pontos – Cuidados terminais | sobrevida média: 6 meses

Quanto maior a pontuação, menor a expectativa de sobrevida.

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Limitações

Apesar de sua ampla utilização, o escore de Tomita apresenta limitações. Um estudo retrospectivo com 217 pacientes submetidos à cirurgia por metástases vertebrais demonstrou que, embora o escore mostrasse significância estatística na estimativa de sobrevida, a correlação entre o prognóstico previsto e a sobrevida real foi baixa.

Diante disso, os pesquisadores propuseram uma modificação do escore de Tomita, simplificando a estratificação em apenas dois grupos prognósticos: (i) sobrevida maior que 12 meses e (ii) sobrevida menor que 12 meses.

Essa alteração mostrou melhor confiabilidade na diferenciação dos pacientes, sugerindo que o modelo original pode não ser totalmente preciso para prever a expectativa de vida em todos os casos de metástases espinhais.

Além disso, outros sistemas, como o escore de Tokuhashi, também são utilizados com a mesma finalidade, reforçando a necessidade de avaliação clínica individualizada.

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Próximos passos no tratamento

A decisão terapêutica de acordo com o escore Tomita geralmente segue este padrão:

  • 2–3 pontos – Excisão ampla ou marginal
  • 4–5 pontos – Excisão marginal ou intralesional
  • 6–7 pontos – Cirurgia paliativa
  • 8–10 pontos – Cuidados de suporte, sem indicação cirúrgica

Vale lembrar que cerca de 80% das metástases na coluna são originadas de tumores de mama, próstata, pulmão ou rim. Situações como instabilidade vertebral, compressão medular, fraturas patológicas ou tumor primário desconhecido também pesam na decisão final do tratamento.

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Referências

Tomita, K., Kawahara, N., Kobayashi, T., Yoshida, A., Murakami, H., & Akamaru, T. (2001). Surgical Strategy for Spinal Metastases. Spine, 26(3), 298–306. doi:10.1097/00007632-200102010-00016

Ulmar, B., Reichel, H., Catalkaya, S., Naumann, U., Schmidt, R., Gerstner, S., & Huch, K. (2007). Evaluation and modification of the Tomita score in 217 patients with vertebral metastases. Onkologie, 30(8-9), 414–418. https://doi.org/10.1159/000104491

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