Elacestrant (Orserdu®): opção oral no tratamento do câncer de mama avançado
O Elacestrant, comercializado sob o nome Orserdu®, é um antineoplásico oral aprovado para o tratamento de câncer de mama avançado ou metastático receptor de estrogênio (ER) positivo e HER2-negativo. Trata-se do primeiro degradador seletivo do receptor de estrogênio (SERD) de uso oral, oferecendo uma alternativa prática e eficaz às terapias injetáveis previamente utilizadas nessa classe.
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Mecanismo de ação e dados de farmacocinética
O Elacestrante atua como antagonista e degradador seletivo não esteroidal do receptor de estrogênio (SERD). Ele inibe a transcrição gênica dependente de estradiol e promove a degradação do receptor de estrogênio alfa de forma dose-dependente, bloqueando o estímulo proliferativo do tumor mediado pelo estrogênio.
Esse mecanismo o torna eficaz especialmente em pacientes com mutação ESR1, associada à resistência ao tratamento hormonal tradicional.
Farmacocinética:
- Pico de concentração plasmática: 1 a 4 horas após a administração
- Distribuição: Volume de distribuição de 5.800 L; ligação a proteínas plasmáticas de 99%
- Meia-vida: 30 a 50 horas
- Metabolismo: Hepático, via CYP3A4
- Excreção: Principalmente pela urina e fezes

Quando indicar o uso de Elacestrant?
O Elacestrant está indicado para o tratamento de câncer de mama avançado ou metastático ER-positivo, HER2-negativo e com mutação ESR1, em pacientes na pós-menopausa ou homens adultos que apresentaram progressão da doença após pelo menos uma linha de terapia endócrina.
O medicamento está disponível em comprimidos revestidos de 86 mg ou 345 mg (frascos com 28 comprimidos).
A administração é via oral, uma vez ao dia, junto com alimentos — medida que ajuda a reduzir efeitos gastrointestinais como náuseas e vômitos. Recomenda-se tomar o medicamento no mesmo horário diariamente.

Elacestrante: posologia e ajuste de dose
A dose usual é de 345 mg por via oral, uma vez ao dia, mantida até a progressão da doença ou ocorrência de toxicidade inaceitável.
Reduções graduais de dose:
- 1ª redução: 258 mg/dia
- 2ª redução: 172 mg/dia
- Intolerância a 172 mg/dia: descontinuação definitiva
Ajustes especiais:
- Insuficiência hepática leve (Child-Pugh A): sem ajuste
- Moderada (Child-Pugh B): reduzir para 258 mg/dia
- Grave (Child-Pugh C): evitar o uso

Monitorização clínica e laboratorial
Antes e durante o tratamento, recomenda-se:
- Avaliar mutação ESR1 para confirmar a indicação terapêutica.
- Monitorar função hepática e perfil lipídico periodicamente.
- Excluir gestação antes do início da terapia.
- Triar e acompanhar possíveis reações adversas hepáticas e cardiovasculares.
Além disso, pacientes devem ter avaliação do risco cardiovascular, incluindo controle de fatores como hipertensão, dislipidemia, diabetes e obesidade.
Leia também: Escore de Framingham - cálculo do risco de eventos cardiovasculares em 10 anos

Interações medicamentosas e alimentares
O Elacestrant é metabolizado principalmente pelo CYP3A4, sendo necessário cautela com indutores e inibidores potentes dessa via, como:
- Evitar associação com: rifampicina, carbamazepina, fenitoína, antifúngicos azólicos, claritromicina, verapamil, entre outros.
- Suco de toranja (grapefruit): contraindicado, pois aumenta significativamente as concentrações séricas do fármaco.
O uso concomitante pode exigir ajuste de dose ou substituição de medicamentos que interajam com o metabolismo do Elacestrant.
Efeitos adversos mais comuns
Gastrointestinais: náusea, vômito, dor abdominal, constipação e diarreia.
Sistêmicos: fadiga, cefaleia, ondas de calor e dor musculoesquelética.
Alterações laboratoriais: elevação de transaminases (AST/ALT), aumento de creatinina, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia.
Em geral, o perfil de segurança é favorável e manejável com ajuste de dose e acompanhamento clínico.

Contraindicações e precauções
O medicamento é contraindicado em pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula.
Não deve ser utilizado durante a gravidez (Categoria C), e a amamentação é contraindicada devido ao risco potencial de efeitos adversos graves em lactentes.
Pacientes com risco de engravidar devem adotar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento e por pelo menos 1 semana após a última dose.
Considerações finais
O Elacestrant (Orserdu®) representa um avanço significativo no tratamento hormonal do câncer de mama metastático ER-positivo e HER2-negativo, especialmente em tumores com mutação ESR1.
Seu uso oral, perfil de segurança manejável e eficácia comprovada tornam-no uma alternativa promissora às terapias endócrinas injetáveis convencionais.

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Referências:
Breastcancer.org. Orserdu (elacestrant): what to expect, side effects, and more. Disponível em: https://www.breastcancer.org/treatment/hormonal-therapy/orserdu. Acesso em: 14 out. 2025.
Hoy S. M. (2023). Elacestrant: First Approval. Drugs, 83(6), 555–561. https://doi.org/10.1007/s40265-023-01861-0
Beumer, J. H., & Foldi, J. (2023). Pharmacology and pharmacokinetics of elacestrant. Cancer chemotherapy and pharmacology, 92(2), 157–163. https://doi.org/10.1007/s00280-023-04550-7