Biomarcadores sanguíneos e o futuro do diagnóstico da Doença de Alzheimer

Biomarcadores sanguíneos e o futuro do diagnóstico da Doença de Alzheimer
idosa

O diagnóstico da doença de Alzheimer está prestes a mudar — e os biomarcadores sanguíneos podem ser a chave para isso. Uma nova diretriz clínica, publicada pela Alzheimer’s Association, estabelece recomendações baseadas em evidências para o uso desses biomarcadores na prática especializada, com foco em sua acurácia diagnóstica, aplicabilidade e integração ao contexto clínico. O documento orienta a utilização de testes sanguíneos específicos como ferramentas de triagem ou confirmação diagnóstica em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência, considerando critérios rigorosos de sensibilidade, especificidade e qualidade metodológica dos estudos disponíveis.

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Biomarcadores sanguíneos no diagnóstico da Doença de Alzheimer: novas diretrizes clínicas

A doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência no mundo, e seu diagnóstico precoce se tornou ainda mais relevante com o surgimento de terapias modificadoras da doença. Nos últimos anos, biomarcadores sanguíneos (blood-based biomarkers – BBMs) vêm se consolidando como ferramentas promissoras, acessíveis e menos invasivas para detectar alterações neuropatológicas da DA, em comparação com métodos tradicionais como PET amiloide e análise de liquor.

Nesse cenário, a Alzheimer’s Association reuniu um painel internacional de especialistas para elaborar a primeira diretriz clínica baseada em evidências sobre o uso de biomarcadores sanguíneos na prática médica. O documento fornece recomendações objetivas para aplicação dos testes em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência, avaliados por profissionais especializados em distúrbios da memória.

diagnóstico da doença de alzheimer

Metodologia da Diretriz

A diretriz, intitulada “Alzheimer’s Association Clinical Practice Guideline on the Use of Blood-Based Biomarkers in the Diagnosis of Alzheimer’s Disease”, foi construída com base em uma revisão sistemática abrangente da literatura. Após a triagem de mais de mil publicações, 49 estudos observacionais, envolvendo 31 testes diferentes, foram incluídos na análise.

Os biomarcadores avaliados incluíram variantes de tau fosforilada (p-tau217, p-tau181, p-tau231) e beta-amiloide (Aβ42 e Aβ40), além da razão Aβ42/Aβ40. Esses testes foram comparados a métodos de referência estabelecidos, como análise de liquor, PET com marcador de amiloide e exame neuropatológico.

A qualidade das evidências e a força das recomendações foram classificadas segundo o sistema GRADE (Grading of Recommendations, Assessment, Development and Evaluation), conferindo rigor e transparência ao processo.

diagnóstico de alzheimer

Principais Recomendações da Diretriz para o Diagnóstico da Doença de Alzheimer

A diretriz propõe o uso clínico dos biomarcadores sanguíneos com base em seus parâmetros de acurácia:

Para triagem: testes com sensibilidade ≥ 90% e especificidade ≥ 75% podem ser usados para excluir a patologia da DA, quando negativos. Resultados positivos devem ser confirmados com PET ou liquor.

Como substitutos diretos: testes com sensibilidade e especificidade ≥ 90% podem substituir exames invasivos, oferecendo diagnóstico confiável da patologia de DA.

Contudo, os especialistas alertam que a performance diagnóstica dos testes disponíveis no mercado pode variar consideravelmente. Muitos ainda não atingem os limiares mínimos definidos, principalmente quando se utiliza um único ponto de corte.

Assim, os biomarcadores sanguíneos devem ser interpretados em conjunto com uma avaliação clínica especializada, considerando fatores como a probabilidade pré-teste e o contexto individual do paciente.

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Resumo Prático:

  • Utilizar biomarcadores sanguíneos como p-tau217, p-tau181, p-tau231 e a razão Aβ42/Aβ40 com sensibilidade ≥ 90% e especificidade ≥ 75% como teste de triagem; confirmar resultados positivos com PET ou liquor.
  • Utilizar biomarcadores sanguíneos com sensibilidade e especificidade ≥ 90% para substituir exames invasivos quando possível.
  • Sempre integrar os resultados dos biomarcadores sanguíneos a uma avaliação clínica detalhada.
  • Manter-se atualizado sobre novas evidências e desenvolvimentos em biomarcadores sanguíneos.

Essa abordagem pragmática promete transformar o diagnóstico da doença de Alzheimer, ampliando a precisão e acessibilidade, e melhorando o cuidado ao paciente.

Leia também: Doença de Alzheimer: é possível prever com precisão?

Doença de Alzheimer

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Referências:

Palmqvist, S., et al (2025). Alzheimer's Association Clinical Practice Guideline on the use of blood-based biomarkers in the diagnostic workup of suspected Alzheimer's disease within specialized care settings. Alzheimer's & dementia : the journal of the Alzheimer's Association, 21(7), e70535. https://doi.org/10.1002/alz.70535

First Guideline on Alzheimer’s Blood-Based Biomarker Tests Released - Medscape - July 31, 2025.

Grande, G., Valletta, M., Rizzuto, D. et al. Blood-based biomarkers of Alzheimer’s disease and incident dementia in the community. Nat Med 31, 2027–2035 (2025). https://doi.org/10.1038/s41591-025-03605-x

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