Dezembro Vermelho: mostra em Brasília relembra 40 anos de resposta ao HIV/AIDS no Brasil
Mostra em Brasília revisita quatro décadas de resposta ao HIV/AIDS no Brasil, e contrasta avanços nacionais com alerta internacional do UNAIDS.
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Marco de 40 anos de resposta brasileira contra AIDS
O Ministério da Saúde inaugura hoje (1º de dezembro) a exposição “40 anos da história da resposta brasileira à aids”, em Brasília. A iniciativa integra o Dezembro Vermelho 2025 e propõe mais do que um resgate histórico: convida o público a revisitar memórias, reconhecer conquistas científicas e refletir sobre os desafios ainda presentes no enfrentamento ao HIV e à AIDS. A mostra segue aberta até 30 de janeiro de 2026.
Instalada no Sesilab, espaço interativo dedicado à ciência, à arte e à tecnologia, a exposição reúne depoimentos, documentos, fotografias, obras artísticas, campanhas emblemáticas e recursos digitais que narram a trajetória da resposta nacional desde 1985 - ano em que a política pública contra a AIDS foi formalizada pela Portaria nº 236.
A curadoria organiza o conteúdo em quatro eixos: linha do tempo, evolução tecnológica, marcos e conquistas e cinema com debates, criando uma experiência que conecta passado, presente e futuro. O material foi selecionado por representantes de redes de pessoas vivendo com HIV/AIDS, pesquisadores, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil e parceiros institucionais, reforçando o caráter coletivo da iniciativa.
Além da exposição, a programação do mês inclui debates, rodas de conversa, apresentações artísticas e oficinas. Serão 12 dias de atividades que reunirão especialistas, comunicadores, artistas, gestores e ativistas para discutir temas centrais da resposta ao HIV, como prevenção combinada, diagnóstico precoce, transmissão vertical, determinantes sociais, direitos humanos e combate ao estigma.
A maioria das ações será aberta ao público mediante inscrição no site oficial da mostra.

A exposição e seu papel na história da saúde pública
A mostra celebra oficialmente os 40 anos de políticas estruturadas de enfrentamento ao HIV e à AIDS no país. Nesse período, o Brasil desenvolveu estratégias pioneiras, consolidou parcerias com organizações da sociedade civil e incorporou tecnologias capazes de ampliar o acesso ao cuidado.
A iniciativa destaca esses avanços, evidencia políticas públicas bem-sucedidas ao longo das décadas e promove reflexão sobre os desafios que permanecem, desde barreiras sociais e estruturais até a necessidade de inovação sustentada. Ao mesmo tempo, inspira novas gerações de profissionais, ativistas e pesquisadores a se engajarem na resposta nacional.
Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão: “Celebrar quatro décadas significa reconhecer o protagonismo das pessoas, a importância da ciência e o compromisso contínuo com a eliminação da AIDS como problema de saúde pública até 2030”.
Dezembro Vermelho: mobilização para prevenção e cuidado
Instituída pela Lei nº 13.504/2017, a campanha Dezembro Vermelho reforça ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e promoção dos direitos das pessoas vivendo com HIV, AIDS e outras ISTs. A mobilização envolve instituições públicas, sociedade civil e organismos internacionais, em consonância com os princípios do SUS.
Hoje, 95% das pessoas em tratamento para HIV no país atingiram carga viral indetectável, condição que impede a transmissão sexual do vírus e garante qualidade de vida. O índice reflete o fortalecimento do acesso a terapias modernas, com incorporação de esquemas de primeira linha, maior capilaridade da testagem e ampliação das estratégias de prevenção, como PrEP e PEP.

Avanço brasileiro contrasta com crise mundial no enfrentamento ao HIV, mostra relatório do UNAIDS
Na última terça-feira (25), o UNAIDS divulgou o relatório do Dia Mundial da Luta contra a AIDS 2025 – Eliminar as barreiras, transformar a resposta à AIDS. O documento alerta para o impacto profundo das reduções no financiamento internacional e da falta de solidariedade global, que têm comprometido de forma acentuada a resposta ao HIV em países de baixa e média renda.
Segundo o relatório, 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, 1,3 milhão de novas infecções ocorreram em 2024 e 9,2 milhões ainda não têm acesso ao tratamento. A projeção é preocupante: o não cumprimento das metas globais pode resultar em 3,3 milhões de novas infecções entre 2025 e 2030.
O UNAIDS destaca que a resposta internacional enfrenta seu maior retrocesso em décadas. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que a assistência externa à saúde deve sofrer uma queda de 30% a 40% em 2025, em comparação com 2023 - um declínio capaz de provocar interrupções imediatas e mais severas nos serviços de saúde em países com maior incidência de HIV.

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Referências:
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Brasil celebra 40 anos da resposta à aids com exposição que honra histórias, lutas e conquistas. Publicado em 25/11/2025.
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Confira a programação de exposição sobre resposta à aids no Brasil. Publicado em 26/11/2025.
UNAIDS: Resposta global ao HIV sofreu seu revés mais significativo em décadas. Publicado em: 27/11/2025.
UNAIDS divulga seu relatório do Dia Mundial da Luta contra a AIDS 2025: Eliminar as barreiras, transformar a resposta à AIDS. Publicado em: 25/11/2025.