Desidratação e hipertermia no Carnaval: sinais de alerta que não podem ser ignorados
A combinação de altas temperaturas, esforço físico, consumo de álcool e hidratação inadequada favorece o aumento de casos de desidratação e hipertermia no Carnaval, agravos frequentes nos atendimentos de urgência e emergência e potencialmente fatais quando não reconhecidos precocemente.
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Doenças relacionadas ao calor e eventos de massa
O Carnaval é um dos maiores eventos de massa do mundo e ocorre durante o verão, período marcado por altas temperaturas, índices elevados de radiação solar e umidade variável.
A combinação desses fatores ambientais com exposição prolongada ao sol, atividade física intensa, consumo de álcool e hidratação inadequada cria um cenário propício para o aumento de casos de desidratação e hipertermia no Carnaval, agravos frequentes nos atendimentos de urgência e emergência durante o período carnavalesco.
Do ponto de vista da saúde pública, esses quadros integram o grupo das doenças relacionadas ao calor, condições amplamente evitáveis, mas que continuam sendo responsáveis por uma parcela significativa da sobrecarga dos serviços de pronto-socorro em eventos de grande aglomeração. A identificação precoce dos sintomas e a adoção de medidas preventivas são essenciais para evitar a progressão para formas graves, potencialmente fatais.

Desidratação e hipertermia no Carnaval: sinais iniciais e riscos
Dentre as principais doenças relacionadas ao calor, a desidratação ocorre quando a perda de líquidos e eletrólitos supera a reposição, comprometendo funções fisiológicas essenciais.
Em ambientes quentes e com esforço físico, a sudorese intensa acelera esse processo, especialmente quando associada ao consumo de bebidas alcoólicas, que possuem efeito diurético e reduzem a percepção de sede. Os sintomas iniciais incluem sede intensa, boca seca, redução do volume urinário, tontura, fadiga e cefaleia, mas podem evoluir para hipotensão, taquicardia e alteração do nível de consciência.
Considerando os riscos do calor extremo à saúde, a hipertermia se caracteriza pela elevação anormal da temperatura corporal central, resultante da incapacidade do organismo de dissipar o calor produzido ou absorvido.
Esse espectro clínico inclui desde cãibras pelo calor até a insolação, considerada uma emergência médica. Na insolação, a temperatura corporal pode ultrapassar 40 °C, com risco de lesão neurológica, disfunção cardiovascular, insuficiência renal e falência de múltiplos órgãos.

Fatores de risco individuais e ambientais
Diversos fatores de risco individuais aumentam a vulnerabilidade a esses agravos durante o Carnaval. Entre eles estão crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças cardiovasculares, metabólicas ou renais, indivíduos com obesidade, além daqueles que utilizam medicamentos que interferem na termorregulação, como diuréticos, antidepressivos, antipsicóticos e betabloqueadores. A falta de aclimatação ao calor e a privação de sono, comuns durante o período festivo, também contribuem para o risco.
Do ponto de vista ambiental e organizacional, superlotação, acesso limitado à água potável, escassez de áreas sombreadas, deslocamentos prolongados a pé e permanência em locais fechados e mal ventilados agravam ainda mais o problema.
Estudos sobre eventos de massa demonstram que mesmo pequenos aumentos na temperatura ambiente estão associados a elevações significativas na procura por atendimento médico, especialmente por condições relacionadas ao calor.
Nos serviços de urgência, observa-se que muitos atendimentos por desidratação e hipertermia no Carnaval ocorrem inicialmente com sintomas inespecíficos, o que pode retardar o diagnóstico. Além disso, há um padrão de aumento tardio da demanda, com pacientes procurando o pronto-socorro horas após o término das festividades, quando os mecanismos compensatórios já estão comprometidos.
Prevenção e sinais de alerta no Carnaval
A prevenção é a principal estratégia para reduzir a incidência desses agravos durante o Carnaval.
Medidas simples, como hidratação regular, mesmo na ausência de sede, intervalos frequentes para descanso, uso de roupas leves, chapéus, protetor solar e evitar consumo excessivo de álcool, têm impacto direto na redução de riscos. Para organizadores e gestores públicos, a disponibilização de pontos de água, postos de atendimento médico, sombras artificiais e campanhas educativas é fundamental.
Reconhecer os sinais de alerta — como confusão mental, pele quente e seca, vômitos persistentes, desmaios ou diminuição importante da diurese — pode ser decisivo para evitar complicações graves.
Em eventos como o Carnaval, a articulação entre vigilância em saúde, serviços de emergência e ações de educação da população é indispensável para proteger vidas e reduzir a sobrecarga do sistema de saúde.

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Referências:
Almuzaini, Y., Alburayh, M., Alahmari, A., Alamri, F., Sabbagh, A. Y., Alsalamah, M., & Khan, A. (2022). Mitigation strategies for heat-related illness during mass gatherings: Hajj experience. Frontiers in public health, 10, 957576. https://doi.org/10.3389/fpubh.2022.957576