Consumo de Chá e Café e o Risco de Osteoporose: evidências indicam potencial efeito protetor
Uma metanálise recente investigou a relação entre o consumo de chá e café e o risco de osteoporose. O objetivo foi avaliar se o consumo dessas bebidas exerce um efeito protetor ou prejudicial, fornecendo uma base científica mais robusta para compreender seus efeitos sobre o metabolismo ósseo.
Foram analisados 14 estudos observacionais publicados entre 2008 e 2024, envolvendo um total de mais de 500 mil participantes. De acordo com os autores, os dados sugerem que indivíduos que consomem café e chá regularmente apresentam um menor risco de osteoporose, quando comparados aos não consumidores. Especificamente, o consumo de café esteve associado a uma redução de risco de aproximadamente 21%, enquanto o chá apresentou uma redução de cerca de 25%.
Esses achados reforçam, de forma preliminar, a hipótese de que o consumo diário moderado de café e chá pode ter um efeito positivo na saúde óssea e potencialmente reduzir o risco de osteoporose.
Vamos entender os detalhes desta metanálise.
[lwptoc colorScheme="inherit" borderColor="#ffffff"]
Há um efeito protetor do chá e do café na osteoporose?
Dos 14 estudos incluídos, 11 investigaram a associação entre o consumo de café e o risco de osteoporose. A análise agrupada revelou que o consumo de café está significativamente associado a uma redução no risco de osteoporose (OR = 0,79; IC 95%: 0,73–0,84; p < 0,05).
O consumo em alta frequência — definido como mais de uma xícara por dia — foi relacionado a uma redução discretamente maior no risco (OR = 0,83; IC 95%: 0,74–0,93; p = 0,001), em comparação ao consumo de baixa frequência (menos de uma xícara por dia), que não apresentou redução estatisticamente significativa (OR = 0,86; IC 95%: 0,68–1,07; p = 0,171).
Em relação ao chá, 8 dos 14 estudos abordaram sua relação com a osteoporose. A metanálise demonstrou um efeito protetor significativo do consumo de chá na análise global (OR = 0,75; IC 95%: 0,62–0,91; p < 0,05).
O consumo frequente de chá — definido como mais de quatro vezes por semana — esteve associado a um efeito protetor ligeiramente mais expressivo (OR = 0,73; IC 95%: 0,62–0,86; p = 0,005), quando comparado ao consumo menos frequente (OR = 0,82; IC 95%: 0,70–0,97; p = 0,111).

Impacto do delineamento dos estudos na heterogeneidade dos resultados
Para minimizar os potenciais vieses decorrentes dos diferentes delineamentos dos estudos, os autores realizaram análises de subgrupos sobre o consumo de café e chá, considerando três tipos de estudos: coorte, caso-controle e transversal.
Nos estudos de coorte, o consumo de café apresentou baixa heterogeneidade, assim como o consumo de chá, que também não revelou heterogeneidade significativa entre os estudos.
Nos estudos caso-controle, a heterogeneidade do consumo de café não pôde ser avaliada devido à presença de apenas um estudo; já o consumo de chá apresentou alto grau de heterogeneidade.
Por sua vez, os estudos transversais evidenciaram baixa heterogeneidade para o consumo de café e moderada heterogeneidade para o consumo de chá.
Embora os resultados das análises de subgrupos estejam em concordância com os achados gerais, a heterogeneidade inerente aos diferentes tipos de estudos requer cautela na interpretação dos dados.

Impacto das diferenças de variedades e preparo nas propriedades bioativas do café e chá
A análise focou principalmente nos efeitos gerais do café, sem diferenciar entre as diversas variedades existentes. É importante destacar que essas variedades apresentam diferenças significativas no teor de cafeína e nos compostos bioativos, o que pode resultar em mecanismos de ação distintos e efeitos variados sobre a osteoporose.
Além disso, o estudo não considerou os diferentes métodos de preparo do café — como expresso, café turco e coado — que podem alterar a composição dos componentes bioativos da bebida e, consequentemente, influenciar os resultados relacionados à saúde óssea.
Também não foram abordadas as variedades de chá, como o chá verde, preto e oolong, todas ricas em compostos benéficos que podem ter efeitos sobre a osteoporose, seja de forma semelhante ou diferente ao café.
Essas limitações apontam para a necessidade de estudos futuros que considerem tanto as variedades quanto os métodos de preparo dessas bebidas, para uma compreensão mais detalhada do seu impacto na saúde óssea.

Chá, café e o risco de osteoporose: o que podemos concluir?
Os mecanismos pelos quais o café influencia a osteoporose ainda não estão completamente esclarecidos. Embora os efeitos da cafeína sobre a saúde óssea sejam controversos, alguns estudos indicam que baixas concentrações de cafeína podem inibir a osteoclastogênese e melhorar desfechos relacionados à osteoporose. Por outro lado, concentrações elevadas parecem prejudicar a formação óssea e aumentar o risco da doença.
Além da cafeína, o café contém outros compostos bioativos, como flavonoides e potássio, que podem exercer efeitos benéficos na saúde óssea por meio de suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.
Quanto ao chá, seus compostos polifenólicos demonstram um potencial promissor na proteção contra a osteoporose. Evidências mostram que os polifenóis do chá melhoram a microestrutura óssea, aumentam a densidade mineral óssea e modulam a microbiota intestinal, o que contribui para a manutenção da saúde óssea.
Esses achados reforçam a hipótese de que o consumo moderado de café e chá, inserido em uma dieta equilibrada, pode ser uma estratégia válida na prevenção da osteoporose. Contudo, são necessárias pesquisas adicionais para aprofundar o entendimento dos mecanismos envolvidos e esclarecer os efeitos de diferentes padrões e dosagens de consumo dessas bebidas sobre a saúde óssea.

Leia também: “Dr, posso tomar café?”. Veja 5 benefícios para discutir com seus pacientes em uma consulta.
--
Referências:
Li, W., Xie, Y., & Jiang, L. (2025). Coffee and tea consumption on the risk of osteoporosis: a meta-analysis. Frontiers in nutrition, 12, 1559835. https://doi.org/10.3389/fnut.2025.1559835