Ceruloplasmina: entenda o exame que avalia o metabolismo do cobre no corpo
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O que é a ceruloplasmina
A ceruloplasmina é uma proteína produzida pelo fígado que atua como a principal transportadora de cobre no sangue, sendo responsável por carregar cerca de 95% do cobre sérico.
Ela é formada quando seis moléculas de cobre se ligam à apoceruloplasmina, uma proteína carreadora de cobre. Além de transportar esse mineral essencial, ela também é uma proteína de fase aguda, o que significa que seus níveis podem aumentar em resposta a processos inflamatórios e infecções.

Para que serve o exame de ceruloplasmina
O exame mede a quantidade dessa proteína no sangue e é utilizado principalmente para investigar distúrbios do metabolismo do cobre, como a Doença de Wilson e a Doença de Menkes.
A proteína desempenha papel essencial na homeostase do cobre — um mineral obtido na dieta por meio de alimentos como feijão, amendoim, batata, chocolate e nozes. O corpo absorve apenas o necessário e elimina o excesso, principalmente pela bile.
Quando o metabolismo desse mineral é comprometido, os níveis de ceruloplasmina no sangue podem diminuir ou aumentar, dependendo da causa.

Ceruloplasmina baixa: o que pode ser
Níveis reduzidos dessa proteína são observados em condições que comprometem a formação ou o transporte do cobre, como:
- Doença de Wilson (deficiência genética da proteína ATP7B, que liga o cobre à apoceruloplasmina);
- Doença de Menkes;
- Doenças hepáticas ou renais (síndrome nefrótica);
- Desnutrição grave (Kwashiorkor);
- Síndromes de má absorção intestinal, como o espru tropical.

Ceruloplasmina alta: quando ocorre
Valores elevados podem estar relacionados a condições que estimulam a produção dessa proteína, como:
- Processos inflamatórios e infecciosos;
- Gravidez;
- Doença arterial coronariana;
- Diabetes mellitus;
- Tireotoxicose;
- Cirrose biliar;
- Neoplasias malignas (leucemia, linfoma de Hodgkin);
- Insuficiência renal;
- Uso de medicamentos como anticoncepcionais orais, estrogênios, metadona, fenitoína e tamoxifeno.

Valores de referência, limitações e interferências
Os valores normais variam conforme a idade e o método laboratorial utilizado:

Limitações e interferências do exame:
Fatores que afetam a produção ou o transporte do cobre podem alterar os resultados. Entre eles:
- Uso de medicamentos (como estrogênios e anticoncepcionais);
- Processos inflamatórios agudos;
- Hemólise da amostra de sangue;
- Diferenças entre métodos laboratoriais, que impossibilitam a comparação de resultados de laboratórios distintos.

Quando o exame é solicitado
O médico pode solicitar o exame nas seguintes situações:
- Suspeita de Doença Menkes ou de Wilson;
- Avaliação de deficiência de cobre;
- Investigação de doenças hepáticas ou renais inexplicadas;
- Presença de sintomas como fadiga, palidez, formigamento em extremidades, osteoporose e baixa imunidade.

Doença de Wilson
É uma condição genética e hereditária que causa o acúmulo tóxico de cobre no organismo, especialmente no fígado e no cérebro. O defeito ocorre na proteína ATP7B, responsável por ligar o cobre à apoceruloplasmina e eliminá-lo pela bile.
Sem essa função adequada, há redução dos níveis séricos de ceruloplasmina e depósito de cobre nos tecidos, levando a manifestações hepáticas, neurológicas e psiquiátricas.
Principais manifestações clínicas:
- Hepatite crônica, cirrose ou insuficiência hepática;
- Alterações neurológicas e de comportamento;
- Anemia hemolítica;
- Presença de anéis de Kayser-Fleischer (depósito de cobre na córnea, visível ao exame com lâmpada de fenda).
O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais e biópsia hepática com quantificação de cobre.

Saiba mais com WeMEDS®
A ceruloplasmina é um marcador importante do metabolismo do cobre e pode auxiliar no diagnóstico de diversas condições. Alterações em seus níveis exigem avaliação médica detalhada, sempre associada a outros exames laboratoriais e clínicos.
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Referências:
Lopez, M. J., Royer, A., & Shah, N. J. (2023). Biochemistry, Ceruloplasmin. In StatPearls. StatPearls Publishing.
European Association for the Study of the Liver (2025). EASL-ERN Clinical Practice Guidelines on Wilson's disease. Journal of hepatology, S0168-8278(24)02706-5. Advance online publication. https://doi.org/10.1016/j.jhep.2024.11.007
Ramani, P. K., & Parayil Sankaran, B. (2023). Menkes Disease. In StatPearls. StatPearls Publishing.
Royer, A., & Sharman, T. (2023). Copper Toxicity. In StatPearls. StatPearls Publishing.
Immergluck J, Grant LM, Anilkumar AC. Wilson Disease. [Updated 2025 Apr 3]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441990/