Celulite Facial, Periorbital e Orbital: como reconhecer e tratar de forma eficaz

Celulite Facial, Periorbital e Orbital
manchas na pele

A celulite é uma infecção bacteriana aguda que acomete a derme profunda e a hipoderme. Embora compartilhem aspectos clínicos como eritema, edema, dor e calor local, a celulite facial, a orbital e a periorbital diferem principalmente pela localização anatômica e gravidade.

A celulite facial envolve a pele e o tecido subcutâneo da face, sem acometimento orbitário. Já a celulite periorbital (pré-septal) afeta os tecidos superficiais ao septo orbitário, poupando as estruturas profundas da órbita. Por fim, a celulite orbital compromete os tecidos profundos da órbita, apresentando sinais oculares importantes e maior risco de complicações sistêmicas e oftalmológicas.

O reconhecimento das distinções clínicas entre essas entidades é essencial para o diagnóstico precoce e conduta adequada.

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Aspectos Clínicos e Etiológicos da Celulite Facial

A celulite facial é uma infecção aguda da pele e do tecido subcutâneo da face, caracterizada por eritema, calor, dor, edema e, frequentemente, sintomas sistêmicos como febre e calafrios.

O quadro clínico costuma apresentar áreas de eritema de limites pouco definidos, podendo haver edema com aspecto de “casca de laranja”, linfangite e linfadenopatia regional. Em muitos casos, a infecção é unilateral e pode evoluir rapidamente se não tratada adequadamente.

A etiologia mais comum da celulite facial envolve bactérias, principalmente estreptococos β-hemolíticos do grupo A e, em menor frequência, Staphylococcus aureus. Fatores predisponentes incluem traumas cutâneos, infecções odontogênicas, sinusites, picadas de inseto, ou qualquer condição que comprometa a barreira cutânea.

Em pacientes imunossuprimidos ou com comorbidades, agentes atípicos, como fungos (por exemplo, Candida albicans), podem ser responsáveis, embora isso seja raro.

celulite facial

Celulite Periorbital vs. Celulite Orbital: diferenças clínicas e abordagem diagnóstica

A celulite periorbital (ou pré-septal) é uma infecção limitada aos tecidos anteriores ao septo orbitário, envolvendo a pálpebra e a pele periocular, sem acometimento das estruturas profundas da órbita.

Clinicamente, manifesta-se por edema, eritema e calor palpebral, mas sem proptose, dor à movimentação ocular, limitação dos movimentos oculares ou alterações visuais. Febre pode estar presente, mas sintomas sistêmicos graves são incomuns. As causas incluem disseminação de sinusite, infecções cutâneas locais, traumas ou picadas de inseto.

A celulite orbital, por sua vez, envolve tecidos profundos da órbita, localizados posteriormente ao septo orbitário.

Caracteriza-se por sinais mais graves, como proptose, dor intensa à movimentação ocular, limitação dos movimentos oculares (oftalmoplegia), diminuição da acuidade visual, quemoses e, frequentemente, sintomas sistêmicos como febre alta e toxemia.

Pode evoluir rapidamente para complicações graves, como abscesso subperiosteal, trombose do seio cavernoso, meningite e perda visual permanente, sendo considerada uma emergência médica.

Celulite Facial, Periorbital e Orbital

A distinção clínica entre celulite periorbital e orbital pode ser desafiadora, especialmente em crianças, devido ao edema periorbitário proeminente. No entanto, a presença de sinais como proptose, dor ou limitação à movimentação ocular e alterações visuais sugere fortemente envolvimento orbitário.

Exames complementares, como proteína C reativa (PCR) elevada e tomografia computadorizada de órbitas e seios paranasais, são essenciais para o diagnóstico diferencial e para a identificação precoce de possíveis complicações.

O prognóstico tende a ser favorável nos casos de acometimento superficial; contudo, a forma orbitária ainda apresenta risco significativo, com taxa de até 10% de perda visual permanente.

síndrome de sjögren Celulite Facial, Periorbital e Orbital

Tratamento da Celulite: abordagem antibiótica e monitoramento clínico

A base do tratamento da celulite é a antibioticoterapia, utilizando agentes com cobertura para estafilococos, como cefalexina, clindamicina ou vancomicina, conforme o perfil clínico e epidemiológico.

A terapia deve ser iniciada o mais precocemente possível, visando maior eficácia e prevenção de complicações. O manejo pode ser ambulatorial ou requerer internação, a depender da gravidade do quadro e das condições do paciente.

A resposta clínica costuma ser observada dentro de 24 horas após o início do tratamento. O paciente deve ser reavaliado a cada 24 a 48 horas para monitoramento da evolução, ajuste terapêutico e detecção precoce de complicações. Recorrências são incomuns após resolução completa do episódio agudo.

Celulite Facial, Periorbital e Orbital

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A diferenciação precisa entre as formas de celulite facial e periorbitária é essencial para garantir um manejo adequado e prevenir complicações potencialmente graves. O reconhecimento precoce, aliado a uma abordagem terapêutica direcionada, impacta diretamente no prognóstico do paciente.

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Referências:

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