Carnaval e pronto-socorro: agravos mais comuns, emergências no Carnaval e como prevenir

Carnaval e pronto-socorro: agravos mais comuns, emergências no Carnaval e como prevenir
máscara carnaval

Durante o Carnaval brasileiro, os prontos-socorros registram mudanças significativas no perfil de atendimento, com aumento proporcional de traumas, intoxicações, emergências cardiovasculares e agravos relacionados ao calor, além de picos tardios de demanda após os eventos.

[lwptoc colorScheme="inherit" borderColor="#fcfcfc"]

Carnaval e pronto-socorro: quais agravos aumentam em eventos de massa e como prevenir

O Carnaval brasileiro é reconhecido internacionalmente como um dos maiores eventos de massa do mundo, marcado por intensa circulação de pessoas, grandes aglomerações, consumo elevado de álcool, longos períodos de exposição ao calor e alterações temporárias no comportamento da população.

Esse conjunto de fatores cria um cenário propício ao aumento de agravos à saúde e impõe desafios significativos aos serviços de urgência e emergência, especialmente aos prontos-socorros. Mas qual a relação entre Carnaval e pronto-socorro?

Eventos de massa e saúde pública possuem uma forte associação com maior risco de agravos evitáveis, como traumas, intoxicações por álcool e outras substâncias, desidratação, hipertermia e doenças transmissíveis.

Evidências científicas mostram que, durante grandes festividades, há mudanças no perfil de atendimento hospitalar, exigindo planejamento assistencial, estratégias preventivas e ações de educação em saúde para reduzir riscos e minimizar a sobrecarga do sistema.

Carnaval e pronto-socorro

Impacto nos atendimentos de emergência no Carnaval

Os departamentos de emergência e prontos-socorros funcionam como pontos de entrada críticos para os sistemas de saúde, frequentemente operando sob elevado nível de estresse devido à flutuação do volume de pacientes.

Estudos indicam que eventos de aglomeração com mais de mil participantes apresentam desafios específicos, como aumento do risco de lesões, abuso de substâncias e importação de doenças infecciosas, podendo sobrecarregar serviços que já lidam com superlotação e limitação de recursos.

A literatura descreve efeitos distintos dos eventos de massa sobre as admissões em pronto-socorro.

Em alguns contextos, observa-se uma redução global dos atendimentos, especialmente de casos de baixa gravidade, possivelmente porque os participantes evitam buscar assistência durante o evento. Em contrapartida, há evidências consistentes de aumento proporcional de atendimentos relacionados a trauma, intoxicações, uso abusivo de álcool e eventos cardiovasculares.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que grandes aglomerações podem rapidamente exceder a capacidade das infraestruturas locais de saúde, reforçando a necessidade de planejamento específico para eventos como o Carnaval.

Agravos mais comuns no Carnaval atendidos no pronto-socorro

Quais são os agravos mais comuns no Carnaval atendidos no pronto-socorro?

A relação entre Carnaval e pronto-socorro se intensifica justamente pelo aumento de comportamentos de risco e pela sobrecarga dos serviços de emergência no período. Estudos sobre eventos de massa apontam que as emergências no Carnaval mais frequentes incluem:

  • Intoxicação alcoólica e uso de outras substâncias;
  • Traumas físicos, especialmente quedas, agressões e acidentes;
  • Alterações cardiovasculares, como arritmias e síndromes coronarianas agudas;
  • Desidratação e hipertermia, associadas à exposição prolongada ao calor;
  • Redução de atendimentos de baixa complexidade, com concentração de casos mais graves.

O abuso de álcool surge de forma consistente como um dos principais fatores associados aos picos de atendimento em pronto-socorro.

Esse achado reforça a importância de estratégias de redução de danos às doenças de Carnaval, como consumo responsável de bebidas, fiscalização adequada, pontos de hidratação e postos de primeiros socorros no local do evento, capazes de resolver casos leves e reduzir a pressão sobre os hospitais.

Carnaval e pronto-socorro: agravos mais comuns, emergências no Carnaval e como prevenir

Pico tardio de atendimentos no pronto-socorro após o Carnaval

A emergência hospitalar em eventos de massa também pode ocorrer na forma de um aumento tardio das admissões no pronto-socorro, geralmente entre 4 e 12 horas após o término das festividades. Esse fenômeno pode estar relacionado a participantes que inicialmente subestimam lesões ou sintomas, buscando atendimento apenas quando o quadro se agrava.

O reconhecimento desse padrão permite que hospitais adotem estratégias como reforço temporário de equipes, adequação de leitos e organização da capacidade assistencial conforme o cronograma do evento, reduzindo o impacto de ondas súbitas de pacientes no período pós-Carnaval.

Estratégias de prevenção, redução de danos e preparo assistencial no Carnaval

Intervenções baseadas em evidências, adaptadas às características locais do evento e apoiadas por ferramentas de modelagem preditiva, são fundamentais para proteger a saúde pública durante grandes aglomerações. A integração entre serviços de saúde, gestores públicos e organizadores do evento é essencial para garantir respostas rápidas, eficientes e coordenadas.

Conclusão

A associação entre carnaval e pronto-socorro exerce influência significativa sobre a utilização dos serviços de urgência e emergência. Embora possa ocorrer uma redução temporária de atendimentos de baixa gravidade, há um aumento consistente de agravos a condições clínicas agudas, intoxicação alcoólica e trauma, além de picos tardios de demanda após o evento.

O planejamento estratégico do pronto-socorro, aliado a ações preventivas no território e estratégias de redução de danos, é fundamental para mitigar riscos, evitar sobrecarga assistencial e proteger a saúde da população durante eventos de massa.

Carnaval e pronto-socorro

--

Referências:

Posht Mashhadi, Ali et al (2025). The Impact of Mass Gatherings and Events on Emergency Department Admissions: A Systematic Literature Review.  Journal of Emergency Medicine, Volume 74, 23 – 48.

Read more