Botulismo: o perigo invisível que causa paralisia e pode ser fatal

Botulismo
alimento em conserva

O botulismo é uma doença rara, mas potencialmente fatal, caracterizada por uma paralisia flácida e progressiva causada pela neurotoxina botulínica, uma das substâncias mais potentes conhecidas. Essa toxina é produzida pela bactéria Clostridium botulinum e por outras espécies relacionadas do gênero Clostridium.

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O que é o botulismo?

O botulismo é uma doença não contagiosa, causada pela ação de neurotoxinas que bloqueiam a liberação de acetilcolina nas junções neuromusculares, interrompendo a comunicação entre nervos e músculos.

Esse bloqueio leva à paralisia muscular flácida, que pode evoluir de forma descendente - iniciando pelos músculos oculares e progredindo até a musculatura respiratória. Como o dano é irreversível, a recuperação depende da formação de novas terminações neuromusculares, processo que pode levar meses.

É uma condição rara, ainda que grave e potencialmente fatal. Sua ocorrência é mundial e está frequentemente associada ao consumo de alimentos malconservados. No Brasil, entre 2006 e 2020, foram confirmados 83 casos de botulismo, com taxa de letalidade estimada em 3%. A forma intestinal é especialmente importante em lactentes e pode representar até 5% das mortes súbitas em bebês, segundo estimativas epidemiológicas.

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Formas de transmissão

Existem três formas principais de botulismo, que se distinguem pela via de contaminação:

  1. Botulismo alimentar

Ocorre pela ingestão de alimentos contaminados com a toxina botulínica, geralmente conservas caseiras, embutidos artesanais ou pescados defumados. A ausência de oxigênio e o pH inadequado criam condições ideais para a produção da toxina.

  1. Botulismo por ferimento

Surge quando esporos de C. botulinum contaminam ferimentos, especialmente em lesões profundas, esmagamentos ou locais de injeção de drogas. Em ambiente anaeróbico, a bactéria germina e libera a toxina no organismo.

  1. Botulismo intestinal (ou infantil)

Acomete principalmente crianças menores de um ano, devido à imaturidade da microbiota intestinal. O mel é um alimento frequentemente implicado, motivo pelo qual não deve ser oferecido a lactentes.

Em adultos, pode ocorrer em condições de alteração da flora intestinal, como doença de Crohn ou uso prolongado de antibióticos.

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Sinais, sintomas e diagnóstico do botulismo

Os sintomas variam conforme o tipo de botulismo, mas seguem um padrão clássico de paralisia flácida simétrica descendente, descrito pelos “5 D’s”:

  • Diplopia (visão dupla), Disfonia (voz anasalada), Disartria (fala arrastada), Disfagia (dificuldade para engolir) e Disautonomia (alterações autonômicas).

Outros sinais comuns incluem:

  • Visão turva, ptose palpebral e pupilas dilatadas não reativas;
  • Fraqueza muscular no pescoço, tronco e membros;
  • Boca seca, íleo paralítico e retenção urinária;
  • Insuficiência respiratória nas formas graves.

Nos casos alimentares, sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos e dor abdominal podem preceder o quadro neurológico. A consciência permanece preservada durante toda a evolução da doença.

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O diagnóstico de um paciente com botulismo é essencialmente clínico, apoiado em exames laboratoriais e eletrofisiológicos. O médico deve investigar o consumo de alimentos suspeitos e a presença de outros casos no mesmo ambiente.

Exames complementares incluem:

Pesquisa da toxina botulínica no sangue, fezes, conteúdo gástrico ou alimento suspeito (bioensaio em camundongos é o padrão clássico);

Cultura do Clostridium botulinum em amostras clínicas;

Eletroneuromiografia, que demonstra comprometimento da junção neuromuscular;

Exames de imagem e laboratoriais gerais para descartar diagnósticos diferenciais.

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O botulismo é uma emergência médica!

Apesar da baixa incidência, o botulismo é uma emergência médica que requer diagnóstico rápido e suporte intensivo. O tratamento de suporte com monitorização cardiorrespiratória é a conduta mais importante do tratamento e deve ser conduzido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

As principais complicações são insuficiência respiratória, pneumonia aspirativa e desidratação. Mesmo com tratamento adequado, a recuperação é lenta — podendo levar meses nos casos graves. O suporte ventilatório prolongado é fundamental e deve ser mantido até que a função neuromuscular seja restaurada.

Apesar da gravidade, com tratamento intensivo precoce e uso de antitoxina botulínica, a recuperação completa é possível. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da eficácia do suporte clínico.

A melhor forma de prevenção é garantir condições seguras de preparo e conservação de alimentos, evitando conservas caseiras sem controle de pH e esterilização. Ferimentos devem ser adequadamente higienizados e, em recém-nascidos, o mel deve ser evitado até o primeiro ano de vida.

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Referências:

BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Botulismo. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo

Pegram, PS. et al. - Botulism. In: UpToDate, Post TW (Ed), UpToDate, Waltham, MA.

Jeffery, I. A., Nguyen, A. D., & Karim, S. (2024). Botulism. In StatPearls. StatPearls Publishing.

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