Arboviroses no Brasil: Dengue, Zika e Chikungunya em alta
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Arboviroses no Brasil: um desafio para a saúde pública
As arboviroses no Brasil continuam sendo um dos principais desafios da saúde pública, com destaque para doenças como Dengue, Chikungunya, Zika e Febre Amarela. Essas condições apresentam elevada incidência, grande capacidade de disseminação e potencial para provocar surtos e epidemias que impactam significativamente a morbidade, a mortalidade e a organização dos sistemas de saúde.
A transmissão ocorre, predominantemente, por meio do mosquito Aedes aegypti, vetor amplamente adaptado aos ambientes urbanos brasileiros, o que dificulta o controle efetivo dessas doenças.
O que são arboviroses? Arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, principalmente mosquitos como o Aedes aegypti. No Brasil, as principais são dengue, zika, chikungunya e febre amarela.Aedes aegypti e saúde pública
A relação entre Aedes aegypti e saúde pública se baseia na ampla distribuição geográfica, e está diretamente relacionada a fatores estruturais como a urbanização desordenada, o crescimento populacional acelerado e as deficiências históricas no saneamento básico.
A presença de água parada em domicílios, áreas periurbanas e espaços públicos favorece a proliferação do vetor, aumentando a vulnerabilidade das populações às arboviroses.
Esse cenário é agravado pelas desigualdades sociais, que limitam o acesso a condições adequadas de moradia, abastecimento de água e coleta de resíduos sólidos.

Além disso, as mudanças climáticas têm desempenhado um papel crescente na dinâmica de transmissão das arboviroses no Brasil.
O aumento das temperaturas médias, aliado à intensificação e à irregularidade dos períodos chuvosos, cria condições ambientais favoráveis à reprodução dos mosquitos e à expansão das áreas de risco.
Regiões que antes apresentavam baixa incidência dessas doenças passaram a registrar casos de forma mais frequente, ampliando os desafios para a vigilância e o controle epidemiológico.
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Impactos das arboviroses na saúde pública e na economia
Os impactos das arboviroses vão além dos efeitos clínicos imediatos.
Durante surtos e epidemias, o elevado número de casos sobrecarrega os serviços de saúde, resultando em aumento da demanda por atendimentos ambulatoriais, internações e uso de recursos diagnósticos.
Esse cenário gera custos expressivos para o sistema de saúde e compromete a capacidade de resposta a outras condições médicas.
Do ponto de vista social e econômico, as arboviroses também contribuem para a perda de produtividade, afastamentos do trabalho e aumento da demanda por assistência social.
Necessidade de prevenção contra a infecção por vírus Zika
Entre as arboviroses de maior relevância, a infecção pelo vírus Zika merece atenção especial devido às suas complicações de longo prazo.
A associação entre Zika e malformações congênitas, como a microcefalia, trouxe novos desafios para a saúde materno-infantil, exigindo acompanhamento prolongado das crianças afetadas e apoio multidisciplinar às famílias.
Essas consequências reforçam a necessidade de estratégias preventivas robustas e de vigilância contínua.
Arboviroses no Brasil: outros desafios
Outros desafios no controle das arboviroses no Brasil envolvem o diagnóstico clínico.
Dengue, Chikungunya, Zika e Febre do Oropouche compartilham sinais e sintomas semelhantes, como febre, cefaleia, mialgia, fadiga e mal-estar geral. Essa sobreposição clínica dificulta o diagnóstico diferencial, especialmente em contextos de cocirculação viral, comuns em diversas regiões do Brasil.
A limitação de testes laboratoriais rápidos e específicos, sobretudo em áreas remotas ou com infraestrutura restrita, pode atrasar o diagnóstico e comprometer o manejo adequado dos pacientes.
Vigilância epidemiológica no controle da Dengue e Chikungunya
Nesse contexto, a vigilância epidemiológica das arboviroses assume papel estratégico no controle da Dengue, Chikungunya e Zika no Brasil.
A detecção precoce de surtos, o monitoramento da circulação viral e a análise contínua dos dados epidemiológicos são fundamentais para orientar ações de prevenção e resposta rápida.
No entanto, a subnotificação de casos ainda representa um obstáculo significativo, dificultando a obtenção de dados precisos sobre a real magnitude dessas doenças, especialmente em regiões de difícil acesso.

O desenvolvimento de vacinas eficazes contra arboviroses permanece como uma prioridade global.
Embora a vacinação contra a febre amarela esteja consolidada no Brasil, ainda existem desafios importantes na ampliação e no aperfeiçoamento das vacinas contra Dengue, Zika e Chikungunya.
A variabilidade genética dos vírus, a complexidade da resposta imunológica e a necessidade de proteção duradoura dificultam o desenvolvimento de imunizações universais. Mesmo com avanços recentes, a vacinação isoladamente não é suficiente para o controle dessas doenças.
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Diante dessas limitações, novas estratégias de controle vetorial vêm ganhando destaque.
Iniciativas como a liberação de mosquitos geneticamente modificados e o uso da bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão viral pelo Aedes aegypti, surgem como alternativas promissoras aos inseticidas tradicionais, cuja eficácia tem sido comprometida pelo aumento da resistência dos vetores.
Considerações finais
Considerando a complexidade do cenário brasileiro, o enfrentamento das arboviroses exige uma abordagem integrada e multidisciplinar.
A articulação entre vigilância epidemiológica, controle vetorial, desenvolvimento de vacinas, inovação tecnológica, educação em saúde e políticas públicas de saneamento é essencial para reduzir de forma sustentável o impacto dessas doenças.
A cooperação entre governos, instituições científicas, profissionais de saúde e a sociedade civil é determinante para fortalecer a resposta nacional e mitigar os efeitos das arboviroses sobre a saúde pública e a economia.
Referências:
FERNANDES, C. O. S. ARBOVIROSES EMERGENTES E REEMERGENTES NO BRASIL: DENGUE, CHIKUNGUNYA E ZIKA. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, Volume 6, Issue 8 (2024), Page 5036-5048.